Leo Lupi - Divulgação
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Por O Dia

Rio - Poucas vezes o termo “novo” esteve tão em voga nos discursos políticos, em grupos e movimentos de renovação e em partidos que defendem uma “nova política”.

Podemos até dizer que algumas novidades ocorrem, em alguns casos, na prática. Na última eleição, a Câmara dos Deputados teve uma renovação recorde, com 243 novos deputados e a menor taxa de reeleição desde 1998. O debate político foi tomado por rostos novos.

Mas, afinal, o que é a “nova política”? Como explicar que a mesma onda de renovação possa ser representada por figuras tão diversas e até conflitantes entre si?

Ganhou repercussão nas redes sociais a fala da deputada federal Tabata Amaral na sabatina do ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, no final de março. Ao questionar o então ocupante da pasta, a jovem cumpriu o seu papel como parlamentar de oposição e se destacou pelos comentários pertinentes e sólidos.

Nascida na periferia de São Paulo, Tabata estudou ciência política e astrofísica em Harvard e decidiu voltar ao Brasil para se dedicar à pauta da educação. Deputada aos 25 anos, ela é um dos principais símbolos da renovação no Congresso.

Quem também se elegeu prometendo uma “nova política” foi Bolsonaro. Até agora, porém, seu governo tem se mostrado muito mais inepto do que novo. O presidente não parece preocupado em resolver os grandes problemas do país, como o desemprego. Prefere publicar no Twitter a respeito de temas de costumes. E, ainda, se comporta como candidato. Estimula a radicalização e divide o país em extremos. Seu discurso de uma “ameaça comunista” é, antes de tudo, velho.

 

Recentemente, o presidente afirmou que queria formar uma garotada sem interesse pela política, que aprenda coisas que possa levá-la “ao espaço no futuro”.

Dados do IBGE de dezembro do ano passado revelam, no entanto, qual é o real problema da juventude no Brasil. Quatro em cada dez jovens brasileiros de 19 anos sequer concluíram o ensino médio.

A fala de Bolsonaro denota uma visão simplista de que ou o cidadão se informa sobre política, ou estuda para ter um futuro profissional e intelectual. A deputada Tabata, cientista política e astrofísica, prova exatamente o contrário. Ela é o exemplo concreto de que ambos os saberes são perfeitamente conciliáveis (e até complementares) quando há uma educação de qualidade. A visão do presidente é de uma dicotomia rasa, como muitas outras que tem dominado o país, dividido entre polos radicalizados.

Embora ambos tenham sido associados com o “novo” nos últimos meses, Tabata e Bolsonaro são, na verdade, opostos. Se a ideia de uma “nova política” parece, por vezes, um tanto quanto difusa e superficial, poderíamos, talvez, falar da boa política. Ela pode ser representada tanto por rostos jovens quanto por pessoas experientes. É a política feita com um trabalho sério, com respeito à democracia e quem pensa diferente. Tabata e Bolsonaro são apenas exemplos, mas que ilustram bem o real conflito. Entre a boa e a má política.

Leo Lupi é jornalista

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