Mônica Francisco: Ações conservadoras pedem respostas coletivas

Em todo o país há uma cruzada contra a expansão dos direitos humanos e contra a emancipação do seu povo, tempos difíceis

Por O Dia

Monica Francisco
Monica Francisco -
Rio - Neste mês de maio em que a assinatura da Lei Áurea, aquela que promoveu a abolição inconclusa, completou 131 anos, as movimentações dos setores conservadores da sociedade deixam claro que precisamos seguir na luta, coletivamente, para manter nossos corpos desobedientes nos lugares de destaque. Aqueles que não se habituam com a nossa presença nos espaços de poder tentam de qualquer maneira nos reduzir, com a prática de racismo institucional e com proposições que visam destruir as poucas políticas afirmativas em vigor.

Assim como já acontecera em março, quando uma parlamentar da Bahia apresentou projeto de lei para revogar a Lei de Cotas, um deputado do Rio de Janeiro seguiu o mesmo caminho. Em todo o país há uma cruzada contra a expansão dos direitos humanos e contra a emancipação do seu povo, tempos difíceis. Além disso, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a base de governo protocolou um pedido de cassação do mandato da deputada Renata Souza, após ela denunciar as sucessivas ações inconstitucionais do governador, como parte de sua política genocida contra pobres e pretos. Em nível nacional, enquanto isso, o presidente autoriza cortes severos nos orçamentos das universidades.

Nada disso vai parar a nossa luta. Sim, lutarei. Lutaremos, pois não é concebível retroceder nas políticas afirmativas que nos permitiram acessar o Ensino Superior, a especialização e a Pós-Graduação. Vale destacar, que nas universidades estaduais do Rio de Janeiro a lei de cotas não para na graduação. Enquanto mulher negra, nascida e criada na Favela do Borel e que começou a trabalhar aos 14 anos, só tive acesso à universidade aos 38, graças à lei de cotas. Não foi por falta de vontade nem por incapacidade, mas por ausência de oportunidade. Mesmo chegando ao Ensino Superior “tardiamente”, não sou a regra, sou exceção.

A história, a trajetória dos corpos negros e as ações controversas da ala ultraconservadora da sociedade em que vivemos pedem respostas coletivas. Em todo o Brasil as respostas começam a surgir e nesta semana uma multidão foi às ruas para defender a Educação, sob ameaça, inclusive com a perseguição aos cursos de Filosofia e Sociologia.

Ainda não se viu recuo em relação ao orçamento da educação, mas ele virá. O processo é longo e demanda engajamento, compartilhamento das pautas e das lutas. A solidariedade mobiliza e nós não queremos e não vamos voltar ao lugar de antes.

Nós chegamos às universidades e ao parlamento e vamos chegar a todos os lugares que desejarmos. É hora de fazer ecoar nossas vozes e conhecido o nosso trabalho. Das lutas e das ruas, do respeito à nossa ancestralidade, o Brasil com que sonhamos vai surgindo.
Mônica Francisco é Deputada Estadual pelo PSOL-RJ

Comentários