Rodrigo Bacellar (SDD) - Divulgação
Rodrigo Bacellar (SDD)Divulgação
Por O Dia
Rio - Sou constantemente indagado pela população de Campos dos Goytacazes, que me elegeu deputado estadual, porque o gás veicular vendido no município custa pelo menos 25% mais caro em relação ao que é cobrado pelos postos em Itaboraí, por exemplo. Essa é uma das inúmeras questões que esperamos ver respondidas na CPI do Gás, que busca investigar a distribuição do gás no Estado. Apesar de estarmos às portas de uma das principais fontes produtoras, a Bacia de Campos, a população acaba pagando caro para abastecer com gás. Depois de gastar uma fortuna para fazer a conversão do carro, muitos já pensam em desistir do gás por que não tem compensado financeiramente.

A questão do preço é fundamental - afinal, houve um aumento de 98% nos últimos dois anos, segundo relatório da Firjan -, mas há outros pontos que também necessitam ser esclarecidos; como as dificuldades para ampliar a rede de postos que abastecem com gás ou a demora na liberação das licenças.

O gás chega às portas do posto, mas para ser disponibilizado ao consumidor depende de uma equipe técnica da concessionária, que se desloca da capital. Quando a questão é fora de Campos, então, fica ainda mais complicado, pois o gás chega aos postos em caminhões. Fica a dúvida de saber por qual razão os dutos de gás não foram levados ao Noroeste do Estado e a distribuição continua sendo feita por caminhões?

A concessionária Naturgy e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) também precisam explicar o motivo da interrupção na extensão da rede de gás para as residências, inclusive em áreas de expansão urbana. Há também a interrupção de projetos, como é o caso da expansão para Guarus e o abastecimento em Itaperuna, onde a concessionária instalou cinco quilômetros de rede, construiu estação de compressão do gás e não atendeu a mais do que um condomínio vertical.

O aumento de preço do gás prejudica não apenas as famílias, mas também as indústrias. No relatório da Firjan, divulgado em fevereiro deste ano, há relato de que as empresas que dependem do gás cogitam fechar suas plantas no Estado. Os constantes reajustes, que acumulam 98% nos últimos dois anos, não as ajudam a resistir. Nesse sentido, o relatório concluiu que “apenas nos últimos dois anos, o modelo de precificação impactou em R$ 1,6 bilhão na economia do Estado, o que coloca em risco pelo menos 40 mil empregos diretos industriais, acentuando a crise dos últimos anos, que desempregou 34% da mão-de-obra industrial fluminense.”

Como citado por especialistas, o modelo atual restringe novos fornecedores e sufoca os consumidores. Mesmo sendo essencial para a economia fluminense, o processo de produção e distribuição não é tratado com a importância que merece. A CPI dá destaque a questões que precisam de esclarecimento tanto da Naturgy quando da agência reguladora. Com esse debate, quem vence é o cidadão, o Estado do Rio de Janeiro.

Rodrigo Bacellar é deputado estadual pelo Solidariedade-RJ e relator da CPI do Gás