
O que os torna diferentes uns dos outros são os gestores públicos, suas equipes e como cuidam dos “buracos”, nas suas respectivas cidades.
Na verdade, encontrar o tal “gestor” público, nos diversos cantos do Brasil, não é tarefa fácil. Afinal o tradicional sistema eleitoral e seus “muitos tons de cinza”, não tem contribuído muito, até o momento, para que a população encontre boas opções dentre os inúmeros candidatos.
São raros os profissionais realmente capacitados para enfrentar a complexidade e os desafios do planejamento, execução orçamentária e controle das ações, programas e projetos, inerentes a administração pública.
O bom gestor precisa poder discutir estratégias, acompanhar as finanças, liderar pessoas, cuidar dos cidadãos, gente como a gente. Importante saber como dimensionar estruturas e processos da administração direta e indireta, ter uma visão global das operações e projetos públicos, estar antenado aos avanços tecnológicos, promover um ambiente criativo, inovativo, trabalhar com ética, buscar permanentemente a sustentabilidade do município e nunca abrir mão do compromisso com a sociedade.
No entanto, a pirotecnia do processo eleitoral e seus malabarismos, colocam como protagonistas do pleito a distribuição antecipada de secretarias e cargos,compromissos descabidos, em uma apresentação de mágicos e marketing, que fazem coelhos surgirem e sumirem dentro da cartola, distraindo o eleitor e tirando do debate o foco nos projetos e nas apresentações dos candidatos e seus currículos. Vence a indústria da ilusão e perde a população.
As promessas das campanhas são espetaculares, dignas das figuras, que depois de eleitas, não tem compromisso nenhum com seu verdadeiro cliente, o cidadão!
Se o fulano é bonitinho, se a beltrana é simpática, se a oratória é convincente, se a religião é a correta, serouba, mas faz ou rouba e não faz, definem a maior parte do debate no enfrentamento das chapas eleitorais. Infelizmente, parece interessar pouco a capacitação dos candidatos para o cumprimento da agenda executiva pública.
Ano que vem tem eleição! As verbas para tapar buracos já começam a aparecer. Contratos emergenciais, aditivos, novas licitações, empréstimos, emendas, verbas extraordinárias...mais uma vez, ano que vem tem eleição, os governos precisam tapar buracos.
Lá vamos nós nessa montanha russa novamente.
A transformação não será possível escolhendo interessados em premiar a estética ou a beleza desse ou daquele, disso ou daquilo. Nada contra gestores e servidores bonitos (esteticamente), mas o povo prefere gestores e servidores, que façam bonito, capazes de implantar processos e realizar projetos que tornem as cidades mais produtivas e prósperas.
Peter Drucker dizia que não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito. Por exemplo... fazer gestão tapando buracos.