Alexandre Gurgel - Divulgação
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Por O Dia
Rio - O Brasil tem 5.570 municípios e cada um deles muitos buracos. São buracos nas ruas e buracos na administração pública: saúde, educação, infraestrutura, segurança, mobilidade urbana, ambiente de negócios, inovação, tecnologia, promoção social e por aí vai.

O que os torna diferentes uns dos outros são os gestores públicos, suas equipes e como cuidam dos “buracos”, nas suas respectivas cidades.

Na verdade, encontrar o tal “gestor” público, nos diversos cantos do Brasil, não é tarefa fácil. Afinal o tradicional sistema eleitoral e seus “muitos tons de cinza”, não tem contribuído muito, até o momento, para que a população encontre boas opções dentre os inúmeros candidatos.

São raros os profissionais realmente capacitados para enfrentar a complexidade e os desafios do planejamento, execução orçamentária e controle das ações, programas e projetos, inerentes a administração pública.

O bom gestor precisa poder discutir estratégias, acompanhar as finanças, liderar pessoas, cuidar dos cidadãos, gente como a gente. Importante saber como dimensionar estruturas e processos da administração direta e indireta, ter uma visão global das operações e projetos públicos, estar antenado aos avanços tecnológicos, promover um ambiente criativo, inovativo, trabalhar com ética, buscar permanentemente a sustentabilidade do município e nunca abrir mão do compromisso com a sociedade.

No entanto, a pirotecnia do processo eleitoral e seus malabarismos, colocam como protagonistas do pleito a distribuição antecipada de secretarias e cargos,compromissos descabidos, em uma apresentação de mágicos e marketing, que fazem coelhos surgirem e sumirem dentro da cartola, distraindo o eleitor e tirando do debate o foco nos projetos e nas apresentações dos candidatos e seus currículos. Vence a indústria da ilusão e perde a população.

As promessas das campanhas são espetaculares, dignas das figuras, que depois de eleitas, não tem compromisso nenhum com seu verdadeiro cliente, o cidadão!

Se o fulano é bonitinho, se a beltrana é simpática, se a oratória é convincente, se a religião é a correta, serouba, mas faz ou rouba e não faz, definem a maior parte do debate no enfrentamento das chapas eleitorais. Infelizmente, parece interessar pouco a capacitação dos candidatos para o cumprimento da agenda executiva pública.

Ano que vem tem eleição! As verbas para tapar buracos já começam a aparecer. Contratos emergenciais, aditivos, novas licitações, empréstimos, emendas, verbas extraordinárias...mais uma vez, ano que vem tem eleição, os governos precisam tapar buracos.

Lá vamos nós nessa montanha russa novamente.

A transformação não será possível escolhendo interessados em premiar a estética ou a beleza desse ou daquele, disso ou daquilo. Nada contra gestores e servidores bonitos (esteticamente), mas o povo prefere gestores e servidores, que façam bonito, capazes de implantar processos e realizar projetos que tornem as cidades mais produtivas e prósperas.

Peter Drucker dizia que não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito. Por exemplo... fazer gestão tapando buracos.
Alexandre Gurgel é doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ e Mestre em Gestão pela FGV/EBAPE