
Não precisa se esforçar para perceber que a cada dia se multiplicam os veículos estacionados com a mala aberta na hora do almoço oferecendo opção de comida barata e na noite carioca, os ambulantes com seus isopores vendendo bebidas, como caipirinha. O preço é muito atraente, mas esquecemos de nos perguntar de onde vêm os ingredientes, qual a água usada, o gelo e as frutas, como as quentinhas são transportadas e armazenadas e as bebidas manipuladas. O poder público também deveria se preocupar com questões como os padrões sanitários e a desordem urbana que esses ambulantes trazem. A vigilância sanitária fez uma ação, mas precisa intensificar.
Enquanto os consumidores pouco se preocupam com essas consequências, as autoridades parecem não se importar com a concorrência desleal que essa informalidade traz para os estabelecimentos formais e, indo um pouco mais fundo, o mal institucional que causam à própria cidade e ao poder público. O risco da saúde e também a falta de informação sobre origem do produto são as principais causas que preocupam.
Em três anos, foram perdidos cerca de 10 mil empregos formais – certamente um impacto nefasto da informalidade. Sabemos do potencial que o nosso setor tem e não queremos que o segmento regrida. Mas a verdade é que se continuar desse jeito as demissões continuarão, mais casas serão fechadas e a decadência reinará, causando danos de imagem irreversíveis para o Rio. No entanto, ainda é tempo de evitar esse problema e estamos, empresários e entidades de representação como o SindRio, prontos para contribuir com uma solução.
Fernando Blower é presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro