
Significa dizer que em uma década o aumento de registros foi de 310%.
Os reflexos desse descaso, pautados inclusive pelo Jornal O Dia no mês de junho são a evasão da indústria e o afastamento de novas instalações. Para se ter uma ideia, a pesquisa também apontou que 44,5% das indústrias foram vítimas de algum tipo de crime como roubo, furto ou vandalismo e que 73,6% têm suas decisões de investimentos afetadas pela violência em todo o estado do Rio. Trata-se, portanto, de um longo compasso de espera: enquanto o poder público evita olhar para a região com a atenção necessária, não haverá pujança, tampouco interesse em novas empresas se instalarem no território que reúne, pelo menos, 6 milhões de pessoas.
Por acreditar que o esvaziamento econômico da Baixada pode ser revertido ou, pelo menos, minimizado, conselheiros da Firjan Caxias estiveram reunidos na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Relações Internacionais (SEDERE) no início de junho. A intenção foi propor soluções para reduzir os impactos negativos em função da criminalidade.
A corrida pela segurança, porém, não é de agora. Ainda em 2017, a federação deu forma ao Movimento Nacional Contra o Roubo de Cargas com a participação de mais de 100 entidades e criou o Conselho Firjan de Segurança Pública, grupo que chamou atenção para temas prioritários, contribuindo para a melhoria da gestão pública e retomada do desenvolvimento socioeconômico fluminense. E não para por aí: outro pleito levantado foi criação do Centro Integrado de Comando e Controle da Baixada. O trabalho rendeu frutos e sua instalação foi confirmada em Duque de Caxias pelo presidente da Alerj, André Ceciliano, no último dia 27.
Vale ressaltar também os nove meses em que o Rio viveu sob o comando do Gabinete de Intervenção Federal na área de Segurança. O trabalho integrado de inteligência e recapacitação dos profissionais foi a prova de que há luz no fim do túnel. Nesse contexto é importante ressaltar que nos últimos dois anos houve uma pequena redução nos índices. Destaque para o roubo de carga, que manteve a tendência de queda de 13,4% apresentada no ano de 2018. Nos quatro primeiros meses desse ano também houve queda: foram 861 ocorrências frente 933 no mesmo período de 2018. Longe do ideal, mas sinaliza um avanço.
Dito isso, é hora de criar condições para que as empresas já instaladas permaneçam na Baixada e, no mesmo compasso, abrir as portas para que os R$ 19,4 bilhões previstos em recente estudo divulgado pela Firjan sejam injetados em nossa economia nos próximos anos. A indústria do Rio é um dos maiores agentes de mudança do nosso estado e o desenvolvimento econômico passa pela segurança. Precisamos, apenas, que nosso grito ecoe e que haja uma atuação conjunta e ainda mais expressiva das forças de segurança.