
Até aí tudo dentro do schedule da política espacial do governo dos EUA. O mais extraordinário no entanto, foi que os três astronautas que foram à Lua não tinham seguro de vida. A NASA não fazia seguro corporativo e nenhum deles fez seguro individual. E, pasmem! nenhuma seguradora os procurou. E aí? Por insistência da família e de amigos sabe o que fizeram?
Os três comandantes deixaram com as esposas alguns souvenirs que poderiam ser valiosos para colecionadores, curiosos e milionários em geral -- caso não voltassem -- garantindo algum dinheiro para os familiares. E essas lembranças, foram cartões com vistas da Lua (contendo a assinatura dos três e do Nixon, então presidente dos EUA), milhares de cópias dos uniformes, réplicas da Apollo 11, além de objetos pessoais de cada um: relógios, canetas, óculos, etc.
O triste, escrito pelo seu ghost-writer William Safire, terminaria dizendo: “o destino determinou que estes homens, que foram explorar a Lua, em paz — hão de ficar na Lua, para sempre, descansando… em paz”.
Felizmente, os três voltaram heróis e Nixon foi recebê-los numa base, no Pacífico.
Curiosidade: falando em voar, o nosso piloto-pioneiro, Alberto de Santos Dumont nasceu num 20 de julho!
Bem, O Globo vem fazendo oportunas reportagens (assinadas por Cesar Baima) sobre as missões espaciais americanas e registra acertadamente que após Eugene Cernan repetir os passos de Armstrong três anos e pouco depois, descendo da Apolo 17 no solo lunar em dezembro de 1972, os EUA interromperam o que foi, sem dúvida, o mais ambicioso programa de exploração do espaço, que culminou há 50 anos com “o salto gigantesco” do primeiro astronauta nas crateras da Lua. E aponta algumas das razões pelas quais após essa última volta à Terra do módulo Challenger, com o Cernan e seu colega Harrison Schmitt a bordo, passaram-se 47 anos sem que outros humanos pisasse lá. “Altos custos, desinteresse do público, falta de benefícios imediatos e mudança de foco na estratégica espacial americana, com o fim da disputa política-ideológica entre EUA e a URSS”.
“However”, o minúsculo Grão-Ducado de Luxemburgo, em movimento inverso, prometa para breve “uma corrida espacial do ouro”! Marte, desta vez?
Termino com a tirada genial do nosso poeta Drummond, no dia seguinte à descida dos astronautas na lua (uma segunda-feira), que começou assim a sua crônica no Jornal do Brasil: “OK, o americano pode ter pisado na lua. Mas não vai nunca pisar no luar…”.
Reinaldo Paes Barreto é vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ e diretor institucional da Câmara Portuguesa do Rio