André Esteves: Mangue é vida!

Apesar de sua relevância, os manguezais são frágeis e muito vulneráveis a uma série de ameaças decorrentes da ação humana e da falta de conscientização sobre seu papel para o meio ambiente

Por O Dia

André Esteves
André Esteves -
Rio - Hoje é comemorado o Dia Mundial de Proteção aos Manguezais. Verdadeiro berçário das espécies marinhas, também são fundamentais para o equilíbrio da vida na Terra e para a qualidade da água do mar. O manguezal filtra a água do mar melhorando a sua condição, com raízes aéreas que retêm nutrientes, reforçando sua vocação natural de berçário.

O Brasil é um dos países com maior reserva deste ecossistema, presente em apenas um por cento do território do planeta. Mais de um milhão de brasileiros em comunidades costeiras vivem de atividades relacionadas com este bioma, principalmente pela característica de ser habitat para diversas espécies marinhas, como peixes, caranguejos e mariscos. Estima-se que um quarto das espécies de peixes marinhos de interesse comercial dependem dos manguezais para o seu desenvolvimento.

Apesar de sua relevância, os manguezais são frágeis e muito vulneráveis a uma série de ameaças decorrentes da ação humana e da falta de conscientização sobre seu papel para o meio ambiente. É necessário fortalecer as instituições e conscientizar sobre a importância deste ecossistema. Manguezais são áreas úmidas que ocorrem na transição entre ambientes marinhos e terrestres, sujeitos ao regime de marés e vulneráveis quanto às condições ambientais, principalmente as decorrentes de descartes indevidos de resíduos e da falta de saneamento básico.

Recentemente, estudos científicos ressaltam o significado dos manguezais no combate às mudanças climáticas, contribuindo para a adaptação de seus impactos e para a retenção do carbono. Atuam na proteção contra tempestades, minimizando seus efeitos nas regiões costeiras e protegendo a linha da costa contra a erosão e fenômenos como ressacas e tsunamis. Tais desastres naturais são cada vez mais frequentes e intensos.

Em janeiro de 2000, um vazamento de óleo de grandes proporções foi responsável por mudar o cenário da Baía de Guanabara. Mais de 1,3 milhões de litros de óleo cru foram lançados e esta mancha se estendeu por uma faixa de 50 quilômetros quadrados, atingindo o manguezal das áreas do fundo da Baía, especialmente em Magé e Guapimirim, além de diversas praias da região. Técnicos de diversos órgãos afirmaram, à época, que seria praticamente impossível reverter o dano ambiental da região, tamanho o grau de contaminação da fauna e da flora locais.

Desde então, o Instituto OndAzul desenvolve um trabalho de recuperação deste ecossistema, totalmente reflorestado, apesar de todas as dificuldades e adversidades. O Projeto Mangue Vivo restaurou fauna e flora e trabalhou para que a região se tornasse uma unidade de conservação: Parque Natural Municipal Barão de Mauá. Uma saga de quase vinte anos com um final feliz. A boa notícia do dia!

Você pode conhecer mais sobre este extraordinário projeto no site e nas redes sociais do Instituto OndAzul (ondazul.org.br, @instituto.ondazul).  
André Esteves é professor e diretor do Instituto OndAzul

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