Orlando Thomé Cordeiro: Até quando?

A realidade da (in)segurança pública em nosso estado é dramática, tanto na chamada cidade formal, como nas favelas e comunidades de baixa renda

Por O Dia

Orlando Thomé Cordeiro
Orlando Thomé Cordeiro -
Rio - Gabriel Pereira Alves, 18 anos; Lucas Monteiro dos Santos Costa, 21 anos; Tiago Freitas, 21 anos; Dyogo Costa Xavier de Brito, 16 anos; Henrico de Jesus Viegas de Menezes Júnior, 19 anos; todos mortos por balas perdidas entre os dias 9 e 13 deste mês.

A realidade da (in)segurança pública em nosso estado é dramática, tanto na chamada cidade formal, como nas favelas e comunidades de baixa renda. No primeiro caso, assistimos diariamente a ocorrência de assaltos nas ruas, nos transportes públicos, no comércio e em residências, algumas vezes com vítimas fatais. Diante de tal situação e da pressão da opinião pública, diferentes governos, incluindo o atual, têm adotado medidas que, durante certo período, geram melhorias pontuais nos indicadores, mas revelam-se insuficientes para reverter de maneira completa e sustentável esse cenário.

Já no caso das favelas e demais comunidades de baixa renda, a quase totalidade de seus habitantes vive um drama conhecido: equilibrar-se entre a convivência cotidiana com criminosos que controlam esses territórios e a ausência de políticas públicas permanentes que garantam a indispensável tranquilidade para tocar suas vidas de forma honesta. Ao contrário, os governos vivem reproduzindo operações policiais de incursão e enfrentamento, cujos resultados, além da apreensão de drogas, armas pesadas e eventuais prisões, quase sempre vêm acompanhados da morte de inocentes.

Até quando ficaremos anestesiados diante dessa tragédia anunciada? Quantos inocentes morrerão por estarem em meio a um confronto? Como aceitar que tais mortes sejam tratadas como um efeito colateral inevitável? Esses cinco jovens tinham vida escolar e profissional, mas pagaram o preço do desrespeito que marca as operações policiais nesses locais. Agindo dessa forma, a polícia perde o que deveria ser seu bem mais importante: respeito e confiança da população, condição indispensável para exercerem seu papel de forma eficaz.

A estratégia do “tiro, porrada e bomba”, com apoio na opinião pública, precisa ser substituída pelo princípio de valorização da vida. Sem isso, continuaremos a ver crianças se deitando no chão das salas de aula para fugirem de balas perdidas. As emocionantes palavras de Sofia, uma criança de 7 anos, no enterro de seu irmão Dyogo, correram o mundo. Só não podem cair no esquecimento.
Orlando Thomé Cordeiro é consultor em Estratégia

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