
Um corpo diferente dos padrões dos quais acostumamos chamar de normalidade, pode chocar negativamente a quem olha, mas no conjunto de possibilidades humanas pode surpreender e causar admiração aos olhos de quem observa. Uma pessoa com deficiência física, visual, auditiva, intelectual ou mental, como qualquer outro ser humano, traz em seu corpo aparências que podem encantar, despertando a admiração e o prazer no olhar, pois é como diz a frase: “nem mesmo a lua necessita do corpo inteiro para encantar o mundo”.
Concursos de Miss Cadeirante ou de Miss Down podem despertar curiosidade em quem não está acostumado na convivência com pessoas com deficiência, mas certamente irá surpreender positivamente aos que assistirem um desses eventos. Por outo lado, para as meninas e os meninos com deficiência que têm a oportunidade de participar de um concurso de beleza, o momento é mágico, elevando a autoestima e despertando sensações de alegria e felicidade. Motivos estes que os fazem enfrentar inúmeras dificuldades, bem como atravessar fronteiras municipais e estaduais para vivenciar um instante de glória.
Quando os holofotes se acendem, a música de fundo começa a tocar e o nome do participante é anunciado, a invisibilidade se desfaz, deixando a beleza sobressair para mostrar ao mundo que antes da deficiência existe uma pessoa. Um momento em que a arte substitui aquele grito exaustivo e diário por inclusão e mostra, não só a beleza física daquela menina ou menino que se apresenta, mas também revela sua alma límpida e brilhante como um diamante.
Geraldo Nogueira é subsecretário da Pessoa com Deficiência no Município do Rio de Janeiro