Desembargador federal, Reis Friede - Divulgação
Desembargador federal, Reis FriedeDivulgação
Por O Dia
Rio - Traficantes e bandidos dominam aproximadamente 850 localidades da cidade do Rio de Janeiro, criando um Estado Paralelo, e em flagrante desafio à autoridade estatal, comercializam armas de guerra e os mais variados tipos de drogas. No entanto, se o mesmo fato (a comercialização de determinado medicamento sem a devida receita médica, o que em tese configura um crime) tivesse ocorrido em uma farmácia localizada em alguma das inúmeras e perigosíssimas “zonas de guerra”, instaladas na “Cidade Maravilhosa”, certamente o mesmo Estado (tão afirmativo quanto às suas responsabilidades e vanglorioso da competência de sua atuação), provavelmente seria incapaz de agir naqueles territórios, cuja população encontra-se, na maioria das vezes, subjugada pelo crime organizado, notadamente em virtude da absoluta ausência do Poder Público.

Caso sejam condenados, os balconistas presos por venderem medicamentos sem a referida receita médica, muito provavelmente serão encarcerados juntamente com os bandidos perigosos, que inclusive dominam, através de suas facções criminosas, as degradantes prisões brasileiras, obrigando-as, de certa forma, a passarem a integrar (para a preservação de suas próprias vidas no cárcere) algumas das “siglas” pelas quais são conhecidas as diversas variantes do crime organizado (no segmento da narcotraficância) no Rio de Janeiro: CV – Comando Vermelho, TCP – Terceiro Comando Puro, ADA – Amigo dos Amigos; ou, caso se confirme a “fusão” entre as duas últimas, o Terceiro Comando dos Amigos – TCA.

Menores de idade trabalhando no tráfico de drogas é comum no Rio de Janeiro, sendo certo que “nas favelas cariocas, há décadas, crianças e adolescentes são cooptados pelo tráfico de drogas, considerado uma das piores formas de trabalho infantil pela Organização Internacional do Trabalho”, o que nos permite afirmar que o Brasil efetivamente engrossa as fileiras de uma espécie de “Exército” Infanto-Juvenil mundial destinado à narcotraficância.

Reis Friede é desembargador Federal e presidente do TRF 2