André Codea: A difícil e bela prática da inclusão

Me deparei com a inclusão, então na condição de Diretor de uma escola municipal aqui do Rio, em 2017.

Por O Dia

André Codea
André Codea -
Rio - Me deparei com a inclusão, então na condição de Diretor de uma escola municipal aqui do Rio, em 2017. Não foi fácil. Eu pouco conhecia sobre inclusão, e nunca havia lidado anteriormente com um aluno com deficiência. Tive que aprender, me adaptar e modificar toda uma visão – deturpada – que tinha a respeito.
Mas foi uma frase da mãe de uma aluna com deficiência que particularmente me emocionou. “Eu não estava preparada para ser mãe de uma filha com deficiência”. Pura verdade. Mesmo que a pessoa tenha tido alguma experiência prévia, na verdade, em tese, ninguém está. Nem os responsáveis, nem os funcionários, nem os professores. A inclusão envolve muito mais do que o escrito na Lei Brasileira de Inclusão, pois há todo um processo lento e gradativo de aprendizagem e adaptação a ser construído, que abrange todos os envolvidos na comunidade escolar.
Não é uma tarefa simples, especialmente no que diz respeito à formação do professor, que lidará diretamente com este aluno com deficiência no dia-a-dia. Envolve o planejamento e a adaptação de conteúdos pedagógicos, da estrutura da sala de aula, da turma e da escola como um todo – na forma de construir uma cultura da inclusão, ou seja, da cooperação e do entendimento de todos do que é ser e lidar com um aluno com deficiência –, na sua multiplicidade de manifestações, como a deficiência intelectual ou transtorno do espectro autista, por exemplo.
No que se refere ao professor em si, há gradativamente um crescente interesse em buscar formação, tanto em termos de cursos de mediação escolar, quanto em termos de cursos específicos sobre os diversos tipos de transtornos. Tal interesse, no entanto, ainda é embrionário e necessita de maior estimulação e oportunidades da parte dos sistemas de ensino. Ainda assim, embora a pesquisa Datafolha veiculada no Dia do Professor tenha indicado que 67% dos entrevistados acharam que falta formação para o professor, 71% achou que o professor tem interesse em ensinar o aluno com deficiência.
E a percepção de bons resultados da prática inclusiva, especialmente no que concerne à satisfação das famílias, apareceu em 76% dos entrevistados, que concordou que crianças com deficiência aprendem mais estudando com crianças sem deficiência, e em 86%, que percebeu que as escolas melhoram quando possuem crianças com deficiência.
A inclusão foi muito bem-vinda no ambiente escolar. E continuará sendo.
*André Codea é professor de Neurociência Pedagógica
Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia

Comentários