Camilla Salles: Seguros contra as águas de março

Para evitar maiores transtornos, é preciso estar atento não apenas às nuvens no céu, mas também às condições estipuladas pelos contratos de seguro

Por Camilla Salles*

Camilla Salles
Camilla Salles -
As águas de março não são apenas uma imagem poética criada pela mente genial de Tom Jobim. De encontro à magia da Bossa Nova, as fortes chuvas que marcam o fim do verão podem trazer prejuízos bem concretos para proprietários de veículos automotores, por exemplo. Para evitar maiores transtornos, é preciso estar atento não apenas às nuvens no céu, mas também às condições estipuladas pelos contratos de seguro.

Desde 2004, a partir da Portaria nº 2.022 da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a maioria dos seguros tem a chamada cobertura compreensiva, que protege contra roubo, furto, colisão, incêndio e também contra os chamados eventos da natureza, como as enchentes. Dessa maneira, se o veículo estiver parado na rua, na garagem ou no estacionamento, a seguradora irá cobrir eventuais danos causados pela água. Contudo, a proteção será afastada se o motorista resolver atravessar uma área alagada. A recomendação, portanto, é esperar a água baixar em um lugar seguro antes de seguir viagem.

Outra sugestão importante é atentar para as cláusulas e informações prestadas no momento da assinatura do contrato de seguro. Como a cobertura compreensiva não é obrigatória, é preciso certificar-se de que ela está prevista no documento. No mesmo sentido de dar efetividade ao contrato, se o segurado afirma na apólice que guarda o veículo em uma garagem fechada na sua casa, pode perder direito à cobertura se, no momento da enchente, tiver deixado o automóvel na rua, em frente à sua residência.

A cobertura compreensiva também costuma abranger danos por quedas de árvores, muros ou postes derrubados pela chuva. As seguradoras se resguardam usando, por exemplo, imagens de câmeras de segurança do local do sinistro para verificar se o motorista não criou risco ao tentar atravessar uma região inundada.

Caso o veículo sofra algum dano, o proprietário deve entrar em contato com a seguradora, informar o ocorrido e seguir as orientações. Se necessário, poderá solicitar o reboque do serviço de assistência 24 horas. Em alguns casos, também é importante enviar a documentação para que a seguradora analise, de maneira a acelerar o pedido de indenização.

Se usado com seriedade e conhecimento das regras, o seguro garante a tranquilidade do motorista na hora de dirigir, faça chuva ou faça sol.

*Camilla Salles é advogada coordenadora de Direito Civil do Escritório Queiroz e Andrade

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