Aristóteles Drummond: A pauta para quarentena

O momento, portanto, será de mais parceria na política e na economia do que de enfrentamentos, em que a conta é paga justamente pelos sofridos

Por Aristóteles Drummond*

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As informações que interessam sobre a crise do coronavírus daqui para frente são poucas e objetivas. Ficam restritas aos números de novo infectados detectados e de mortes, andamento das pesquisas médicas,
medidas oficiais relativas à quarentena e movimentação de pessoas.

Feito isso, todos devemos nos voltar para o dia seguinte. Questão das eleições municipais, que devem ser adiadas ou ajustadas para a coincidência de mandatos em 22, ou por pelo menos três meses. Outra
questão é o momento de afrouxar as restrições sem prejudicar o combate à proliferação do vírus.

A retomada do crescimento, que vai se dar em outro quadro mundial, exige que o Brasil aproveite esta pausa. O Congresso, por exemplo, deveria pautar medidas para adequar o país à economia moderna,
competitiva, qualitativa, com nova legislação trabalhista, tributária, financeira e de estímulo ao investimento, seja por empresas ou pelo cidadão comum. Aumentar a base de contribuintes será sempre melhor do que aumentar os tributos que já estão no limite do razoável. Muitas propostas já estão prontas serem discutidas e votadas.

A bola está no meio do campo. Quem não estiver preparado para o jogo vai apanhar e afundar. E, no nosso caso, no barco estão 250 milhões de pessoas, a maioria das quais em situação vulnerável. O momento, portanto, será de mais parceria na política e na economia do que de enfrentamentos, em que a conta é paga justamente pelos sofridos.

Preocupa que ante a realidade de se aprovar corte de salários, como medida para não pagar ou de ver a inflação que a todos castiga de volta, o Congresso não tenha ainda oferecido a redução nos salários do
Legislativo nem aberto mão de pelo menos 80% do Fundo Partidário. Precisa ficar algo para manter os partidos funcionando, é claro.

O Legislativo tem de funcionar e ser objetivo em proporcionar ao Executivo instrumento para atravessar a crise e partir para a retomada quando possível. E não se esquecer de uma pauta moral e ética, como a
prisão na segunda instância, que, além do bom senso, é um reclamo nacional. Voltar à impunidade para os crimes dos poderosos será uma desnecessária decepção popular. E infelizmente tem muito magistrado
soltando bandidos perigosos.

É oportuno registrar que a exploração politica da crise, com criticas ao Presidente que comanda o processo impecável a cargo de seu Ministro da Saúde, já foi percebida e está sendo alvo da Indignação dos formadores de opinião. Mesmo os que não simpatizam com Presidente.

A crise pode ter seus aspectos positivos. E estes devem ser explorados.
*Aristóteles Drummond é jornalista

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