Sérvulo Mendonça - Divulgação
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Por Sérvulo Mendonça*
É necessário seguir, mas estamos assustados com os recentes acontecimentos. São muitos dados, porém poucas informações diferentes. O que irá acontecer? Como se preparar? Fatalmente não temos todas as respostas, pois sequer conseguimos formular todas as perguntas.

Os impactos das ondas que estão por vir são desconhecidos, por mais que estejamos nos preparando como podemos, não há como prever. Estamos assistindo os Governos renunciarem aos tributos, não necessariamente do direito de receber, mas sim do direito de receber agora, e isso não é uma definição boa de crise, isso é uma constatação de que será muito sério e devastador. Ouso dizer que, talvez, sequer possamos recuperar tudo como no momento se encontra, mas que precisaremos seguir, e para isso, aprender e remodelar.

A tecnologia é um grande aliado, trabalhos remotos, home-office, sistemas web, plataformas digitais, reuniões por ferramentas de comunicação, menos tempo perdido com o ir e vir, mais tempo dedicado à produção. Aos que se importaram ou nunca se importaram com tecnologia, chegou o momento de colher, ou não colher pelo que foi feito ou pelo que se deixou de fazer.

Por outro lado, se perde o famoso olho no olho, a gestão à vista, a centralização e o comando direto. Será necessário confiar mais, escolher melhor as pessoas, deixar que façam do seu jeito, pois o importante agora não é mais fazer e controlar da forma com que queremos, e sim entregar no formato que desejam.

Os descontos que nunca foram dados agora serão entregues sem nem serem pedidos, pois algo mudou. Percebemos que fazemos parte do mesmo mundo, e que sobrecarregar um lado será desrespeitar o outro, que pensar em si mesmo não trará a solução, porque a solução é fazer parte de uma cadeia sustentável, onde cada um faz a sua parte e a sua parte contribui para o todo.

Muito embora saibamos que perfeição não existe, a crise acabará com algumas imperfeições. Fatalmente os menos preparados que por aí andavam como sombras, não conseguirão responder ao novo mercado, mais sério, mais metódico, mais fiel aos costumes, princípios, práticas verdadeiras.

Todos serão comandantes das suas próprias decisões, colaboradores ao decidir como devem agir, empregadores ao decidir como devem planejar e executar as ações, os cortes, os métodos, mas todos estarão motivados pela nova ordem. Precisamos ser melhores hoje do que ontem.

Nesse momento não podemos admitir brigas por ego, por álcool em gel, por um bom dia não escutado, por opiniões diferentes, pois da noite para o dia todas as opiniões convergem, e mesmo que ainda tenhamos pessoas alheias ao todo, notoriamente percebemos que esse percentual diminuiu, e que a esmagadora maioria notou que paramos.

A nova ordem requer mais comportamento do que técnica, mais ação do que reação, mais coragem do que medo, requer simplesmente mais humanidade, pois se estamos em uma guerra que não escolhe inimigos por crença, raça, cor, nacionalidade, profissão, classe social, começamos a perceber que erramos tanto, mais tanto, que somente uma nova praga praticamente invisível para acabar com a praga que visivelmente vinha matando a todos nós, uma praga que recebe outra como um antídoto, e que sutilmente deixa um recado:

Não destruam uns aos outros, defendam uns aos outros, e quem sabe possibilito que possam voltar a evoluir.

Economicamente responderemos no tempo certo, financeiramente responderemos no tempo certo, mas no quesito comportamento, o tempo já chegou.

*Sérvulo Mendonça é CEO do Grupo Epicus e Presidente do Forum 3C