Vinícius Farah: O papel do Congresso na crise

A oportunidade de demonstrar aos brasileiros o quanto somos necessários e que, sem democracia plena, com instituições fortes, trabalhando a favor da sociedade, o Brasil será um paciente incurável

Por Vinícius Farah*

Vinicius Farah, presidente do Detran e colunista do DIA
Vinicius Farah, presidente do Detran e colunista do DIA -
No Japão, o ideograma que representa crise (pronuncia-se kiki) é formado por duas imagens. Uma significa situação difícil e a outra, oportunidade. Na Grécia, berço da democracia e da filosofia, Krisis quer dizer “juízo” ou “decisão”. Isto é: a tomada de uma decisão frente a um processo em curso. Uma boa e uma má decisão podem resultar em vida ou morte; vitória ou derrota; glória ou fracasso, oportunidade ou revés.

Hoje, a humanidade vive o maior desafio da sua história desde a Gripe Espanhola, em 1918, quando, guardadas as devidas proporções, o mundo também foi atingido de forma global. Quem poderia sonhar que, em pleno século 21, os super-homens da era da Inteligência Artificial e da nanotecnologia estariam paralisados diante de um vírus invisível?

São em momentos de crise como esse que líderes se revelam. Como deputado que estou, em primeiro mandato, coadjuvante das decisões em curso no Congresso, tenho sido testemunha da liderança do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, no enfrentamento da crise provocada pelo Covid-19. Se, antes, eu já o respeitava, agora também o admiro.

A Câmara tem dado demonstrações diárias de união e maturidade. As diferenças partidárias estão sendo colocadas de lado para que sejam aprovados projetos, em caráter emergencial, com efeito direto sobre a vida da população e da sobrevivência de pequenas e médias empresas, responsáveis por 70% dos empregos do país.

Rodrigo Maia devolveu a MP que permitia patrões dispensarem empregados na crise sem que fosse dada qualquer contrapartida. Resultado: o governo fez uma nova proposta, com um texto melhor. Quando se discutiu a criação de uma renda mínima para os autônomos, o Executivo ofereceu R$ 200, mas no fim concordou em pagar R$ 600, o triplo da proposta inicial, chegando a R$ 1.200 no caso de mulheres chefes de família. Mais do que negociação, isso se chama diálogo, tendo a população mais necessitada como maior beneficiária.

Numa sessão inédita ocorrida nos 195 anos do Parlamento brasileiro, deputados e senadores aprovaram de forma virtual, com 95% de presença, um Orçamento de Guerra, que permitirá o Governo gastar o que preciso for para combater o inimigo invisível. Isso dá muito poder para um presidente sem maioria no Congresso? Sim, mas o que isso importa, diante da crise que precisamos superar?

Embora eu seja absolutamente a favor que o dinheiro do fundo partidário seja dado para o combate ao coronavírus, não custa lembrar que o dinheiro que isso representa (R$ 2 bilhões) é muito pouco diante de tudo que nós já aprovamos e ainda vamos aprovar, que vai passar fácil de R$ 400 bilhões.

Como ensinaram os gregos, tomando decisões corretas, essa crise será superada. Precisamos ainda fazer como os japoneses, enxergar nesta situação difícil uma oportunidade. A oportunidade de demonstrar aos brasileiros o quanto somos necessários e que, sem democracia plena, com instituições fortes, trabalhando a favor da sociedade, o Brasil será um paciente incurável.
*Vinícius Farah é deputado federal pelo MDB-RJ

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