Aristóteles Drummond: A visão de Adhemar de Barros

Em sua gestão, deixou marcas até hoje presentes no cotidiano paulista, especialmente nestes dias de pandemia

Por Aristóteles Drummond*

Aristóteles Drummond, colunista do DIA
Aristóteles Drummond, colunista do DIA -
No próximo dia 22, Adhemar de Barros completaria 120 anos. Este paulista, que governou o Estado por três vezes e foi prefeito da capital, foi o primeiro homem público a promover grandes obras e a dar a saúde um lugar de destaque.

Oportuno, neste momento de aflição nacional e mundial, informar a muitos e lembrar a outros tantos o que foi a vida deste notável paulista, quatrocentão como se dizia antigamente, exemplar em iniciativas pioneiras.

Muito jovem, Adhemar foi para o Rio de Janeiro fazer seu curso de medicina, na Faculdade Nacional, então a melhor do Brasil. Meu pai, seu contemporâneo, contava que ele era, nos anos 1920, um dos poucos, se não o único estudante que tinha carro. Formado, foi para Alemanha fazer sua pós-graduação, oportunidade em que viu serem construídas as primeiras auto estradas na Europa. Depois, foi fazer residência médica na França.

Voltando ao Brasil, mal teve tempo de exercer a medicina, pois foi revolucionário de 32, depois deputado estadual e, com menos de 40 anos, Interventor Federal, nomeado por Getúlio Vargas.

Em sua gestão, deixou marcas até hoje presentes no cotidiano paulista, especialmente nestes dias de pandemia. Foi iniciativa sua a construção do Hospital das Clínicas, desde sempre o maior e mais importante da América Latina. Como deu ênfase a saúde como estudioso e não como político, criou os institutos Adolfo Lutz e Emilio Ribas, que o Brasil, hoje, percebe sua importância na ciência médica nacional e não
apenas paulista. Ao cuidar da infância em país então recordista em mortalidade infantil, criou os centros de puericultura cuja gestão e escolha de cidades ficou a cargo de sua mulher, D. Leonor Mendes de Barros, exemplar primeira-dama paulista e líder da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em 19 de março de 1964.

Incansável, construiu importante rede hospitalar pelo interior, com muitas unidades levando seu nome. E, por fim, e não menos importante, descobriu para os paulistas a estância climática de Campos do Jordão,
construindo sanatório de grande porte para acolhimento de tuberculosos, na época sem tratamento adequado que não o bom clima. Daí, construiu a residência de verão dos governadores e, hoje, temos esta formidável cidade de inverno, turística e progressista.

JK eleito pediu a Adhemar para indicar o Ministro da Saúde, o que ele fez com Mauricio de Medeiros, também da Academia Brasileira de Letras e depois com o sanitarista Mario Pinorri. Miguel Couto filho, outro
Ministro da Saúde, de Vargas, foi Senador no seu partido, o PSP.

Seus adversários, não podendo negar um acervo de realizações que talvez só tenha sido superado 40 anos depois por Paulo Maluf, criaram a justificativa do rouba, mas faz, que, em termos de fraude política, foi um sucesso, pois até hoje se liga o estadista a frase que ele nunca pronunciou. Aliás, ela voltou a ser usada pelos que não podiam e não podem negar a importância do acervo de obras de Maluf. Ambos, curiosamente, nasceram ricos, herdeiros e não precisariam, portanto, roubar.

Adhemar se casou e foi velado na mesma casa. Maluf foi morar na atual residência com dois ou três anos de casado, muito antes de pensar em política. E os outros?

Tempos de quarentena. Tempos de reflexão! edicina
*Aristóteles Drummond é jornalista

Galeria de Fotos

Aristóteles Drummond, colunista do DIA Divulgação
opina27abril ARTE KIKO

Comentários