Isa Colli: Solidão na pandemia

É certo que o isolamento imposto tem seus aspectos negativos, mas também nos dá a oportunidade de tirar lições positivas

Por Isa Colli*

Livro de Isa Colli sobre alimentação saudável foi 'case' do evento
Livro de Isa Colli sobre alimentação saudável foi 'case' do evento -
O isolamento que o coronavírus nos impõe vai muito além das ruas vazias e das pessoas confinadas em suas casas para se resguardar do risco de contágio. A Covid-19 nos colocou diante de uma situação nova e dramática: a solidão. Quem contrai a doença, fica isolado para não passar o vírus adiante. Quem vai para a UTI, não pode receber visitas. E o pior, as vítimas fatais são sepultadas em caixões lacrados, sem velório e sem despedida, o que torna o luto para as famílias ainda mais doloroso. E por causa da pandemia, quem morre de outras doenças também não pode ser velado para evitar aglomerações. Regra geral, os cemitérios estão permitindo a presença de apenas três pessoas. De uma forma ou de outra, todos acabam reféns do inimigo invisível. É uma realidade que certamente deixará marcas psicológicas em milhares de pessoas.

Como escritora, tento entender esse momento fazendo uma analogia ao meu próprio ofício. O autor vivencia a solidão durante seu processo de criação. Uma solidão escolhida e necessária para que surja a inspiração. A diferença é que o sentimento de quem está isolado em casa ou numa UTI, ou mesmo quem perdeu um ente querido sem se despedir, é o da solidão forçada. O mundo parou e as pessoas se viram obrigadas a seguir novas regras e costumes. Deixar de ir à escola, fechar o comércio, fazer trabalho remoto e cumprir o isolamento social não foram escolhas pessoais, e sim uma imposição em prol do coletivo.

É certo que o isolamento imposto tem seus aspectos negativos, mas também nos dá a oportunidade de tirar lições positivas. Por que não aproveitar o momento para se voltar à solidariedade, como muitos têm feito? Podemos e devemos sair dessa pandemia melhores e mais humanos.

E enquanto a crise persiste, faça como o velho marinheiro do samba de Paulinho da Viola, “que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. O barco é nossa casa e o mar é a rua. Ainda não é prudente se lançar ao mar. A solução é ficar no barco até o nevoeiro do coronavírus passar.

*Isa Colli é escritora e jornalista

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