Ivo Brandão: Como fica a economia do Rio de Janeiro com a quarentena?

A boemia carioca representada pelos seus bares e restaurantes cedeu lugar a quarentena. Bares e restaurantes foram proibidos de funcionar pelo decreto do governador

Por Ivo Brandão*

Ivo Brandão
Ivo Brandão -
Aqui estamos, caro leitor. Nosso tema hoje é a economia do estado e da cidade do Rio de Janeiro em tempos de coronavírus. Tema árido, preferível seria escrever sobre a criatividade e espírito empreendedor do carioca e de quebra, escrever sentado em um quiosque na praia, tomando água de coco. Porém, missão dada é missão cumprida.

A cidade do Rio de Janeiro, famosa pelo Cristo Redentor, Pão de Açúcar e Praia de Copacabana, virtuosa cidade turística enfrenta um grande desafio. O turismo carioca que representa 10% do PIB nacional do turismo, agoniza. Diante da adoção da famosa quarentena, a taxa de ocupação dos hotéis da cidade não chega a 5%. Número muito inferior a taxa de ocupação de mais de 80% do último carnaval.

Mais de 57 hotéis fecharam durante esta crise do coronavírus e não possuem prazo para reabrir. Merece menção à parte, o fechamento do luxuoso ícone da cidade, o Copacabana Palace. O fechamento do Copa carrega um grande simbolismo e sinaliza a difícil situação econômica de estados e cidades. Triste.

A boemia carioca representada pelos seus bares e restaurantes cedeu lugar a quarentena. Bares e restaurantes foram proibidos de funcionar pelo decreto do governador. Estima-se que 75% dos estabelecimentos demitiram funcionários e mais da metade, teme não conseguir reabrir após a quarentena. O presidente do SindRio afirmou que mais demissões devem vir. Muitos destes estabelecimentos possuem, no máximo, um mês de caixa para honrar os seus pagamentos estando fechados. O setor empregava 110 mil pessoas no Rio e 150 mil no estado.

A situação do comércio não é muito diferente. Diante da quarentena, o comércio do Rio teve o pior resultado da história. Segundo CDLRio, as vendas no varejo tiveram 85% de queda neste período de quarentena. A mesma entidade afirma que se a quarentena perdurar por mais de 3 meses, 40% das lojas da capital fluminense poderão fechar definitivamente. O comércio representa 10% do PIB do estado fluminense e mais de 850 mil empregos.

Um bom artigo não se faz sem alguns números. Conseguimos decifrar os impactos do coronavírus na economia do estado do Rio de Janeiro, principalmente, sobre o turismo, bares, restaurantes e comércio. Dados que causam desconforto, preocupação com o futuro da economia fluminense. Existe luz no fim do túnel? E a possível recuperação?

Podemos ter certeza que essa crise, como toda a crise, tem início, meio e fim. O primeiro passo para a recuperação é literalmente a volta do funcionamento da economia. O botão “desliga” da economia foi apertado. Agora é preciso apertar o botão de religar. Adoção de medidas de saúde sanitária conjuntamente com a reabertura gradual da economia é necessária. E não será um processo rápido. A confiança do consumidor não se reconquista facilmente. Certamente será um primeiro passo, que será seguido de outro e mais alguns outros, como uma jornada. Se Deus é brasileiro e brasileiro não desiste nunca, não será um vírus importado que vai nos derrotar. Abraços e até a próxima.
*Ivo Brandão é especialista em finanças e investimentos

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