Marcos Espínola: Lockdown: ter ou não ter...eis a questão!

Novos dados publicados no início desta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que um a cada nove contaminados pela Covid-19 no mundo foi infectado no Brasil em 24 horas

Por O Dia

Marcos Espínola
Marcos Espínola -
O Brasil já é o sexto país em pior situação em relação à pandemia e ainda estamos na linha ascendente, ou seja, o quadro geral ainda pode piorar. Segundo alguns especialistas, a melhor maneira da sociedade lidar com essa ameaça invisível é o isolamento social. Já se vão dois meses, mas, efetivamente, não cumprimos a recomendação como deveríamos, o que nos leva a conclusão que medidas mais rigorosas como o lockdown sejam necessárias. No entanto, o desafio é o que fazer com famílias inteiras que não têm condições de sobreviver por trabalharem de forma autônoma ou informal.

Novos dados publicados no início desta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que um a cada nove contaminados pela Covid-19 no mundo foi infectado no Brasil em 24 horas. No total, no período avaliado, o país registrou 10,6 mil novos casos. No mundo, foram 88,8 mil.Ultrapassamos a marca de 160 mil casos, com mais de 10 mil mortes. A contaminação avança nas áreas carentes e também para o interior do estado.

Diante de um sistema de saúde que já agonizava, a situação sem isolamento social poderia ser ainda pior. Foi perceptível o relaxamento das pessoas após esses dois meses, o que coincidiu como avanço dos casos. O Lockdown, que começou em Niterói e que conta com o apoio do governador, inclusive para qualquer cidade do estado que vier a adotá-lo, chegou tardio, pois não foram poucos aqueles que desrespeitaram a quarentena.

Para alguns especialistas, o isolamento ameniza o colapso do sistema de saúde. Para outros, esse colapso é inevitável e aconteceria de qualquer forma, como já ocorreu. Uma decisão realmente difícil para os governantes, pois considerando o perfil do país, no qual o número de comunidades carentes nas cidades é enorme, o lockdown pode significar outro problema, que é a violência de pessoas desesperadas, famintas e que não tem renda para ficar semanas ou meses em casa.

Assim, como fazer lockdown em uma cidade, como o Rio, aonde as leis são diferentes para cada área, ou seja, como parar o comércio na Rocinha, por exemplo? De que forma mandar as pessoas para casa na Cidade de Deus?

Quem estaria de frente nesse processo mais uma vez seria a polícia e os riscos de uma retaliação, desencadeando um conflito são altos. Enfim, caso o Lockdown se concretize, ele deve ser acompanhando de outras medidas que possam garantir, minimamente, as condições de sobrevivência de boa parcela de uma população com pouca ou sem qualquer alternativa.

*Marcos Espínola é Advogado e Especialista em Segurança Pública

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Opinião 13 maio Arte Paulo Márcio

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