Gilberto Braga: Como uma onda

O fato é que a reabertura das atividades econômicas, ainda que por etapas e mesmo observando regras de ouro de prevenção, jamais será uma retomada da economia com toda a sua plenitude

Por Gilberto Braga*

Gilberto Braga: mudar hábitos
Gilberto Braga: mudar hábitos -
O início da retomada das atividades econômicas, ansiosamente esperado por boa parte dos cariocas; e, condenado por outros, divide opiniões. Não há quem não tenha um palpite ou convicção sobre o assunto.

Quem está sendo economicamente afetado, como os comerciantes, vendedores e prestadores de serviços, querem a volta imediata à vida normal da cidade. Na outra ponta, estão todos os outros que acham essa libração parcial açodada e temem uma segunda onda de contágio da covid-19, com consequências piores e de difícil prognóstico.

O fato é que a reabertura das atividades econômicas, ainda que por etapas e mesmo observando regras de ouro de prevenção, jamais será uma retomada da economia com toda a sua plenitude. Refiro-me a retomada a status econômico que se tinha antes do isolamento social em março deste ano de 2020.

A covid-19 veio para ficar e teremos que conviver com ela pelos próximos anos. Se a curva de contágio abaixar de forma drástica, o vírus pode ser mais uma doença, com qual possamos conviver e tocar nossas rotinas com danos e preocupações de prevenção geral e ações pontuais, assim como a dengue, chikungunya e etc.

Mas se a frequência de contágio do vírus se mantiver patamares altos, que é o cenário mais provável, a retomada do funcionamento econômico se dará forçosamente de forma lenta e gradual. Ou seja, viveremos no denominado “novo normal”, em que ir à escola, trabalhar, passear, se divertir e fazer compras necessitará de procedimentos de segurança constantes e duradouros.

A conclusão das pesquisas sobre o desenvolvimento de uma nova vacina, sua distribuição pelo mundo e a efetiva imunização da população vai demorar pelo menos 2 anos, numa perspectiva otimista. Isso significa que vamos mudar nossos hábitos e de forma definitiva. Trabalho remoto, ida a shoppings centers, cinemas, bares e restaurantes, academias de ginástica, pontos turísticos, eventos esportivos e shows, tudo mudará e nada será igual a antes.

Caminhamos para um comportamento mais seletivo e menos coletivo, o que muda a forma de racionar do consumidor e decidir como gastar o seu dinheiro na economia. Para as empresas, há novos desafios em como atender a essas novas necessidades de consumo. Ou seja, se aproxima uma crise ainda mais grave para os setores mais afetados e que não se reinventarem. Ao mesmo tempo, abre-se novas oportunidades para quem suar a criatividade e preencher as novas lacunas de consumo das famílias.

Para o Rio, com sua vocação para o turismo e o entretenimento, esse quadro é muito preocupante, pois são atividades fortemente afetadas, que empregam muita gente. Por isso, a reabertura da economia é positiva, mas deve ser encarada com as devidas cautelas, porque como canta Lulu Santos, “nada mais será como já foi um dia”.
*Gilberto Braga é economista do Ibmec

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