Marcos Espínola: meu respeito começa onde o do outro termina

Desde o início, os profissionais dos chamados serviços essenciais, como médicos, enfermeiros, caminhoneiros, dentre outros, não tiveram opção. Foram eles incumbidos de fazer o país continuar em movimento e, principalmente, no caso dos profissionais de saúde, a enfrentar a pandemia e cuidar das pessoas infectadas pela Covid-19

Por Marcos Espínola*

Marcos Espínola
Marcos Espínola -
Ao longo desses mais de 90 dias de quarentena a rotina de cada um mudou drasticamente. O que inicialmente imaginava-se ser um período curto extrapolou e o impacto foi maior do que se podia prever. O momento é difícil, novo e, embora tenha sido uma crise coletiva, ou seja, atingindo a todos sem distinção, as consequências para cada um diferem por inúmeros fatores, parte pelas condições que fogem do nosso controle, parte pelas decisões que tomamos.

Desde o início, os profissionais dos chamados serviços essenciais, como médicos, enfermeiros, caminhoneiros, dentre outros, não tiveram opção. Foram eles incumbidos de fazer o país continuar em movimento e, principalmente, no caso dos profissionais de saúde, a enfrentar a pandemia e cuidar das pessoas infectadas pelo covid-19. Horas e horas de trabalho, salvando vidas, se arriscando e ficando longe de seus familiares.

Hoje, todos os estados promovem a retomada das atividades. Há quem diga que é precipitada, outros acreditam ser tardia. Em verdade, não há uma regra, porém foi notória a alta dificuldade do país na condução de toda essa crise, seja na esfera da saúde, educação e do isolamento social em si, melhor medida para frear a proliferação do vírus.

Com a flexibilização crescente, porém sem uma fiscalização eficaz, o índice de isolamento social vem caindo e as praias começaram a encher, os bares lotaram e parece que da noite para o dia a vida voltou ao normal. Da Zona Sul à Zona Norte houve aglomerações, desrespeitos as regras de distanciamento, além da falta do uso de máscaras.

Um cenário preocupante cujo resultado saberemos daqui há quinze dias. No entanto, o fato é que metade da população ainda se sacrifica ficando em casa. Estes respeitam as regras, buscando se proteger e preservar o outro. Na medida que alguém se sente no direito de sair para se divertir sob o argumento de não aguentar mais, está não só se colocando em risco, mas também os outros, principalmente seus familiares e idosos que ficaram em casa.

Sabemos que não é fácil, mas se por um lado é compreensível a necessidade do relaxamento do isolamento, por outro ainda é preciso ter consciência de que isso deve ser de forma gradual.

Ficar em casa ainda é necessário, sendo a melhor forma de segurarmos a transmissão que ainda está alta. Quem se acha que tem o direito de sair e exige respeito deve lembrar que o nosso respeito começa quando o do outro termina.


*Advogado e Especialista em Segurança Pública

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Opina 08 julho Arte Paulo Márcio

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