Jones Moura - Divulgação
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Por Jones Moura*
Em plena pandemia do novo coronavírus, o famoso “você sabe com quem está falando?”, que retrata a hierarquização da nossa sociedade, vem, aparentemente, ganhando força nas ruas. O vídeo do desembargador de Santos (SP) a que o Brasil assistiu, estupefato, no domingo, é mais um exemplo de desobediência e tentativa de humilhação a que guardas municipais e outros servidores públicos que fiscalizam o cumprimento das leis têm sido submetidos, através da tão nefasta “carteirada”.

Para citar mais dois exemplos e afastar a falácia de “casos isolados”, no último sábado cinco guardas municipais do Rio precisaram conter um homem que não usava máscara nas areias de Copacabana e reagiu à ação de fiscalização. No mesmo dia, em Mogi das Cruzes, um guarda foi covardemente espancando por diversos “cidadãos”, após tentar dispersar uma aglomeração num parque da cidade.

A falta de empatia e amor ao próximo nesse período de isolamento social parece que tem se tornado regra. Aí que mora o perigo para os envolvidos, em especial os trabalhadores que estão na ponta da corda dessa guerra contra a Covid-19, os quais merecem o nosso máximo respeito. Como se já não bastasse o risco de se contaminarem e às suas famílias, eles ainda têm sua integridade física e até mesmo as suas vidas ameaçadas simplesmente por cumprirem o seu dever.

Não foi à toa que, nesse contexto, o episódio do desembargador Eduardo Siqueira gerou ainda mais repulsa, uma vez que descortina não só a farsa do “todos são iguais perante a lei” como também a de que “a lei é para todos”, uma vez que se vale das prerrogativas do cargo de magistrado e dos seus relacionamentos com autoridades como arma de constrangimento para impor suas vontades.

Leis ou decretos municipais e estaduais valem para quaisquer cidadãos, mas têm sido afrontados por quem busca, sob o manto de direitos constitucionais, a maior afronta à democracia, que é a invalidação das regras sociais que fogem aos seus “jeitinhos”. Tudo isso para defender uma liberdade mortífera ou por acreditar que suas relações de poder estão acima das normas.

Cidadania é o exercício que nos livrará do analfabetismo da alma e isso não se aprende em nenhuma escola ou faculdade.

*Jones Moura é vereador (PSD) e presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara do Rio