Maria Isabel Castro: Educação Digital Inclusiva - mapeamento para implementar novas práticas

O trabalho na Educação deve ser transversal entre o administrativo e o pedagógico

Por Maria Isabel Castro*

Maria Isabel Castro
Maria Isabel Castro -
A pandemia da covid-19 nos fez modificar nosso cotidiano, incorporando a ele novos hábitos como o uso de máscaras e álcool em gel. Com o isolamento social, as escolas públicas e privadas e universidades tiveram que buscar mecanismos para manter o aprendizado e o vínculo entre aluno e professor. As soluções encontradas foram muitas e diversas: antecipação das férias, parceria com canais de televisão aberta para transmitir conteúdo acadêmico, plataformas online de ensino, grupos de WhatsApp para troca de vídeos e áudios, envio de material impresso para a casa dos alunos pelo correio ou transporte, entre outras.

Agora, nós estamos na fase de reabertura da economia e na flexibilização de algumas medidas de isolamento. Com isso, a pergunta que pais, alunos, professores e demais profissionais da Educação estão se fazendo é: quando as aulas voltam e quais as medidas de segurança serão adotadas? Referência no ensino a distância, a Fundação Cecierj também precisou se adaptar. As provas, que antes eram feitas presencialmente nos polos, foram transferidas para a mesma plataforma onde são realizadas as aulas e as sessões de tutoria foram suspensas. Não apenas o Cecierj, mas todas as universidades que compõem o Consórcio Cederj precisaram mudar as suas práticas.

Para entender esse cenário e pensar em ações futuras baseadas no conhecimento da realidade dos alunos, a Fundação Cecierj realizou uma pesquisa com estudantes sobre o período de isolamento social e seu impacto na realização das avaliações. Estudantes das sete instituições, que oferecem curso no Consórcio Cederj, e de todos os 34 polos, participaram da pesquisa. Mais de nove mil pessoas responderam o questionário, o que representa 26% dos 34 mil alunos ativos. Descobrimos que 90% dos estudantes acessaram a plataforma pela internet em casa, através de wifi banda larga. Outro dado interessante é que 71,4% utilizaram o celular para utilizar a ferramenta. A preferência é pelo período tarde e noite, correspondendo a 51,2% e 81,3% respectivamente.

A pesquisa quis saber também o percentual de alunos que fizeram as avaliações do semestre, já realizadas pela plataforma. Observamos que quase 95% dos estudantes fez pelo menos uma das provas, sendo que aproximadamente 90% fez as duas. Já quem não fez pelo menos um dos testes relatou que perdeu o prazo de envio (39,1%) e grande percentual (31%) respondeu que não teve condições psicológicas para estudar.

Saber a forma utilizada para acessar a plataforma é muito importante para o planejamento das provas e avaliação da melhor forma de disponibilizar o conteúdo. Um dado interessante foi o de alunos que utilizaram materiais do próprio Cederj para estudar, como pdf do livro didático (64,5%), materiais na plataforma (61,1%) e o livro didático impresso (50,3%). Identificamos que 65% dos alunos tiraram dúvidas no “Perguntas Frequentes”, elaborado pela Diretoria Acadêmica, a partir de dúvidas enviadas à Ouvidoria. 37,6% julgaram essencial o documento e quase 53% acharam que todas as informações foram importantes.

O trabalho na Educação deve ser transversal entre o administrativo e o pedagógico. Pesquisas como essas são importantes para levantar os problemas enfrentados e elaborar iniciativas de aproximação e colher informações desse período. Esse momento de isolamento, em que alunos e professores tiveram que ficar casa, nos ofereceu boas oportunidades para enriquecer o ensino, desde o básico até o superior, com ferramentas de qualidade e aperfeiçoamento da educação à distância.
*Maria Isabel Castro é presidente da Fundação Cecierj

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