Gilberto Braga: Petróleo ainda é a saída para o Rio

Não é um cenário maravilhoso, mas já dá para esperar uma retomada dos investimentos em petróleo no Brasil e na geração moderada de novos empregos no Grande Rio

Por Gilberto Braga*

Gilberto Braga: mudar hábitos
Gilberto Braga: mudar hábitos -
Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas necessitadas no Brasil estão sem receber o auxílio emergencial, combinando-se pedidos de reanalise, CPF bloqueados e dados inconsistentes. A maioria desses brasileiros necessitados não recebeu nem a primeira parcela da ajuda financeira. Levantando em conta que já são 5 parcelas de R$600,00 aprovadas, já soma uma bolada que pode chegar a até R$ 3.000,00 por pessoa. Agora, discute-se uma nova ampliação do benefício, que pode ser prorrogado até dezembro de 2020.

Trata-se de uma ajuda necessária diante da paralisia da economia, dirigida para quem mais precisa, quando já está óbvio que a retomada econômica não será veloz o suficiente para que se possa retomar o ritmo que se tinha no início do ano, antes dos efeitos da pandemia da covid-19, principalmente em termos de perda de renda e empregos.

O resultado positivo de 8,9% da atividade industrial de junho, depois de um crescimento de 7% em maio, são positivos mas ainda insuficientes para reverter a queda acumulada de 26,3% registrada pelo IBGE em abril e março de 2020. O comércio de rua está reabrindo no Rio, com movimento fraco. Os shoppings centers estão com cerca de 30% do movimento de clientes, sendo que de 35% a 40% das lojas fecharam as portas definitivamente. O turismo não vai reagir em 2020, assim como a maior parte da chamada indústria do entretenimento e dos restaurantes.

Há saída? Sim, por mais desalentador que seja o sentimento vivido por muitos atualmente. As Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostrou que entre os segmentos que mais cresceram no último levantamento estão os setores automobilístico e de petróleo. São dois segmentos fortes no Estado do Rio de Janeiro. O setor de automóveis e caminhões no Sul Fluminense já dá sinais de vida e o setor de petróleo, quer diretamente através das atividades de exploração em Macaé e adjacências, quer pela geração de serviços no Grande Rio, quer em reparos, quer na parte administrativa e financeira na sede da Petrobras.

Os preços do barril de petróleo no mercado internacional parecem estar se afastando das cotações entre US$ 20 e US$30 de março e estabilizando-se ao redor de US$45, com tendência de alta, caso a economia internacional mostre algum folego de crescimento nesse segundo semestre. Não é um cenário maravilhoso, mas já dá para esperar uma retomada dos investimentos em petróleo no Brasil e na geração moderada de novos empregos no Grande Rio.
*Gilberto Braga é economista do Ibmec

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