Durante os cinco dias de festival, o público acompanhou uma programação diversificadaFoto: PMP

Paraty — A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada entre os dias 22 e 26 de julho, marcou a estreia da Casa Paraty, espaço criado para valorizar a produção cultural local e fortalecer a preservação da memória e dos saberes tradicionais do município.
A programação foi dedicada à cultura caiçara e quilombola e às manifestações das comunidades tradicionais que integram a identidade do Sítio Misto Patrimônio Mundial da UNESCO. O evento foi palco de lançamentos de livros, entre eles "Viver é Perigoso".
Durante os cinco dias de festival, o público acompanhou uma programação diversificada, com debates, lançamentos literários, artes visuais e apresentações musicais. Um dos destaques foi a apresentação dos Cirandeiros de Paraty, realizada na noite de sábado (25), que reafirmou a importância da ciranda como patrimônio imaterial, baseado na memória oral e na convivência comunitária da Costa Verde.
A história e a resistência das comunidades locais também ganharam espaço na Casa Paraty com a exposição "Trindade: Quando o Território Virou Luta", organizada a partir do acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade (AMOT). A mostra reuniu imagens produzidas entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, registrando a mobilização comunitária em defesa da posse e da preservação do território.
A Galeria de Arte Popular apresentou obras de artistas paratienses de diferentes gerações, reunindo fotografia, pintura, escultura e cerâmica. Na literatura, o espaço recebeu os lançamentos de "Jair da Trindade - Por Alguma Justiça", de Victor Rebouças, e "Parque da Mangueira e Ilha das Cobras - O Tradicional na Territorialidade Contemporânea de Paraty", de Mírian Machado.
No audiovisual, a mesa "Cinema e Audiovisual" promoveu um diálogo sobre a memória do cinema em Paraty, reunindo o historiador Diuner Mello e a atriz Nanda Costa.
Cultura e impacto econômico
A integração da cultura local à programação da Flip também reforça a importância econômica do festival para o município. Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ), divulgados pela diretora de Cultura e Educação da Flip, Belita Cermelli, cada R$ 1,00 investido no evento gera um retorno de R$ 13,00 para a economia de Paraty, movimentando setores como comércio, gastronomia e a cadeia produtiva regional.
Para a curadora da Casa Paraty, Vanda Mota, a criação do espaço surgiu da necessidade de aproximar a cultura das comunidades locais do grande fluxo de visitantes que a cidade recebe durante a Flip.
-Sendo a Flip o maior dos eventos culturais da cidade, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público - afirmou.
A coordenadora e uma das idealizadoras da Casa Paraty, Gabriela Marsico, destacou a importância de garantir a continuidade das tradições e, ao mesmo tempo, incentivar o protagonismo das novas gerações.
-Memória, identidade e pertencimento são inseparáveis. Uma cultura viva não se sustenta apenas preservando o passado, mas criando condições para que novas gerações possam se reconhecer nessas histórias e, ao mesmo tempo, produzir novasnarrativas - declarou.
Com o encerramento da 24ª Flip, a estreia da Casa Paraty se consolida como uma iniciativa de valorização e salvaguarda da cultura local, destacando a diversidade artística do território e reafirmando o compromisso do município com a preservação de sua herança cultural e imaterial.