Exposição celebra os 130 anos de nascimento do artistaFoto: Aline de La Cruz
Nascido em 1896, em Nova Friburgo, Guignard chegou a Petrópolis antes de completar três anos e viveu na cidade até os oito. Foi no município que frequentou a primeira escola, teve contato com manifestações populares e desenvolveu lembranças da paisagem serrana que permaneceriam presentes em sua memória. As montanhas, a Mata Atlântica, a neblina e os balões das festas juninas estão entre as referências que ajudam a compreender a sensibilidade artística que marcaria sua trajetória.
A mostra busca resgatar esse período da infância do pintor, destacando a relação entre suas experiências em Petrópolis e elementos recorrentes em sua produção artística. A cidade também foi cenário de acontecimentos familiares importantes, como a morte de seu pai, Alberto José Guignard, quando o artista tinha oito anos.
A infância de Guignard em Petrópolis
Durante a infância, Guignard viveu com a família em um casarão na antiga Avenida Sete de Setembro, atual Rua da Imperatriz, nas proximidades do Palácio Imperial. O menino estudou no Colégio Franco-Brasileiro, localizado a poucos metros da residência. Na época, Petrópolis era marcada por montanhas, áreas de Mata Atlântica, rios, palmeiras, pinheiros, hortênsias e grandes residências.
Segundo o jornalista Marcelo Bortoloti, biógrafo do artista e autor do livro “O Anjo Mutilado”, as manifestações populares da cidade também fizeram parte das experiências que permaneceram na memória de Guignard. Entre elas estavam os festejos juninos, com noites frias, fogos de artifício e balões de papel colorido, que mais tarde se tornariam elementos recorrentes e reconhecíveis em suas pinturas.
A tradição tinha ainda um significado familiar. O pai do artista fazia aniversário no dia de São João e costumava comemorar a data soltando balões e fogos de artifício no quintal da casa em Petrópolis. Essas recordações, associadas à perda paterna durante a infância, ajudam a compreender a presença de afetos e memórias na obra do pintor.
Paisagem, memória e imaginação
Mais do que reproduzir fielmente os lugares, o pintor combinava realidade, lembranças e imaginação para construir suas paisagens. Igrejas, casas, pessoas, montanhas, nuvens e balões apareciam reorganizados em composições que conferiram identidade própria à sua produção.
Com base na pesquisa de Marcelo Bortoloti, a exposição pretende ampliar o conhecimento sobre a infância de Guignard e estimular novas investigações a respeito de sua relação com Petrópolis. A proposta é reconhecer a cidade como parte importante da formação de sua sensibilidade, reunindo experiências de descoberta, pertencimento, afeto e perda que permaneceram em sua memória.
Programação do Flipetrópolis
O evento conta com patrocínio Ouro da GE Aerospace e da Águas do Imperador, por meio da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, além de patrocínio Prata da Zweiss, do Itaú e da Unifase. A programação também tem parceria da Prefeitura de Petrópolis e da Academia Petropolitana de Letras.
As ações do festival seguem princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com iniciativas voltadas à acessibilidade e à inclusão.




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