Operação integrada encerrou quase um ano de buscas pelo acusado de um dos crimes que mais chocaram Rio das OstrasFoto: Reprodução

Rio das Ostras - Quase um ano após um dos casos de feminicídio que mais repercutiram em Rio das Ostras, a fuga chegou ao fim. A Polícia Civil do Paraná prendeu, na terça-feira (21), em Foz do Iguaçu, Renan de Lorena Rem de Jesus, de 32 anos, apontado como autor do assassinato da companheira, Thaíssa Lino de Souza, de 22 anos. O crime, ocorrido em setembro de 2025, causou grande comoção ao ter o corpo da jovem encontrado escondido dentro de uma geladeira, em uma residência no bairro Cidade Beira-Mar.
A prisão foi resultado de uma ação integrada entre a Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras, e o Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE), com apoio da Divisão Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC) do Paraná. O trabalho de inteligência permitiu identificar que o foragido havia se estabelecido em Foz do Iguaçu utilizando identidade falsa.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, as equipes permaneceram por cerca de dois dias em diligências para confirmar as informações recebidas. Após o monitoramento, os agentes localizaram o imóvel onde o suspeito estava hospedado, no bairro Lagoa Dourada. A porta da residência precisou ser arrombada para o cumprimento da ordem judicial.
De acordo com o delegado Rodrigo Colombelli, da DENARC, o homem inicialmente apresentou um nome falso aos policiais, mas a verdadeira identidade foi confirmada durante a abordagem. Conforme relato da autoridade policial, o preso afirmou que sobrevivia realizando trabalhos informais, como servente de pedreiro, vendas e pedidos de ajuda nas ruas. Nenhuma arma ou material ilícito foi encontrado no local, e a prisão ocorreu sem resistência.
Após a captura, Renan foi conduzido à unidade da Polícia Civil, onde permaneceu à disposição da Justiça. Segundo a corporação, ele também prestou depoimento por videoconferência às autoridades do Rio de Janeiro e deverá ser transferido para responder ao processo na comarca responsável pelo caso.
O feminicídio ocorreu em setembro do ano passado e mobilizou equipes policiais desde os primeiros dias de investigação. Thaíssa estava desaparecida havia vários dias quando familiares decidiram entrar no imóvel onde ela morava. O padrasto da jovem encontrou a residência fechada, percebeu um forte odor e, ao abrir uma geladeira que havia sido parcialmente isolada por móveis, localizou o corpo da vítima.
As investigações conduzidas pela 128ª DP apontaram Renan como principal suspeito logo nas primeiras horas do inquérito. Exames periciais confirmaram sua presença na residência, e a Justiça expediu mandado de prisão preventiva. Desde então, ele era considerado foragido.
Na época, o delegado Mauro Gonçalves, responsável pela investigação em Rio das Ostras, informou que o casal possuía histórico de conflitos e que havia registros anteriores envolvendo denúncias quando ambos residiam em Nova Iguaçu. Ainda segundo a investigação, a residência havia sido lacrada com fitas adesivas em portas e janelas na tentativa de retardar a localização do corpo.
Conforme informou a Polícia Civil do Paraná, durante o interrogatório realizado após a prisão, o suspeito apresentou sua versão sobre os fatos investigados. O conteúdo das declarações passa a integrar o processo criminal, que seguirá sob análise da Justiça.
Com a captura do acusado, a investigação entra em uma nova fase. O caso, que marcou Rio das Ostras pela violência e pela forma como o crime foi descoberto, seguirá seu trâmite judicial até julgamento.