Esgoto extravasado afetou moradores da Rua Cachoeiras de Macacu, em Rio das OstrasFoto: Divulgação
A força-tarefa reuniu o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Vigilância Sanitária, Procon, Guarda Ambiental e equipes das secretarias de Segurança Pública e de Licenciamento, Habitação e Urbanismo. O problema também levou o município a acionar o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa).
Segundo o presidente do SAAE, Maycon Prata, o extravasamento persistia havia mais de uma semana e já havia atingido cisternas de moradores. Ele afirmou que testes e sondagens realizados pelas equipes municipais, inclusive com apoio dos moradores, identificaram um problema no coletor-tronco da concessionária.
“As pessoas estão com suas cisternas afetadas, água nos tornozelos e sem mobilidade urbana. O morador não consegue sair de casa. Primeiro a empresa informou que a responsabilidade não era dela, mas depois reconheceu o problema”, afirmou.
De acordo com Prata, a solução exigia uma intervenção de maior porte, com impacto nas áreas do Recreio, Costazul e Jardim Mariléa.
O problema afetou a rotina de quem vivia na Rua Cachoeiras de Macacu. A terapeuta Nathalie Leão e Silva, que atendia clientes em casa, afirmou que as condições do local tornaram o ambiente inadequado para o trabalho e para a própria família.
“Esse ambiente, com fedor de esgoto e sujeira, é insalubre para receber meus clientes e principalmente viver aqui com minha família”, relatou. Segundo ela, o vazamento também havia contaminado suas cisternas de água.
Para o morador Paulo Roberto Coelho, a situação era ainda mais difícil por causa da mobilidade reduzida. Cadeirante, ele afirmou que havia perdido a possibilidade de sair de casa com segurança.
“Moro na rua há seis anos. É muito complicado não poder sair de casa por causa deste mar de esgoto. Meu caso se agrava bastante porque sou cadeirante, com mobilidade reduzida. Perdi meu direito de ir e vir. É uma total falta de respeito”, desabafou.
A superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, alertou para os riscos sanitários. “Esse problema na rua é muito sério, porque causa contaminação cruzada, problemas respiratórios, o que afeta a todos”, afirmou.
A Fiscalização Ambiental esteve no endereço no início da semana e lavrou auto de constatação e auto de intimação, com determinação para que a Rio+Saneamento adotasse medidas para solucionar o problema. Como as providências anteriores não foram suficientes, a concessionária recebeu nova determinação para ampliar o efetivo e o maquinário no local.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Torres, a fiscalização também constatou dano ambiental, após o esgoto atingir um corpo hídrico e provocar impacto na região da Lagoa de Iriry. O caso seguia sob acompanhamento dos órgãos ambientais para adoção das medidas cabíveis e eventual responsabilização pelos danos constatados.
O Procon de Rio das Ostras também participou da operação. A chefe-geral do órgão, Michele Mansur, afirmou que já haviam sido aplicadas mais de R$ 1 milhão em multas à Rio+Saneamento e que novas penalidades poderiam ocorrer.
“Os moradores têm o direito de acionar o órgão e pedir abatimento do valor da taxa de esgoto da sua conta de água. As pessoas têm o direito de pedir a reparação de todo prejuízo que tiveram”, explicou.
Segundo a concessionária, a ocorrência está diretamente ligada à rede de águas pluviais (drenagem) e ao elevado nível da lagoa, que provoca o refluxo das águas devido à variação do nível hídrico na região. Ainda de acordo com a empresa, a situação foi solucionada após a abertura da lagoa pelo órgão responsável.



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