"Um Instante", do grupo T.E.M.P.O., une corpo, palavra, som, silêncio e Libras para explorar as relações humanasFoto: Estu?dio Fase

Uma padaria onde não se fazem sonhos. Pessoas que parecem presas ao passado ou à espera de um futuro que nunca chega. É nesse cenário cotidiano que o espetáculo “Um Instante”, criado pelo grupo T.E.M.P.O. (Teatro, Estudos, Movimento e Processos Operativos), constrói uma reflexão sobre o tempo, a memória e os encontros que transformam a vida. A montagem, desenvolvida por artistas ligados a Rio das Ostras e Três Rios, chega ao Festival Velha Joana, em Primavera do Leste, no Mato Grosso, com apresentação gratuita no dia 7 de novembro, às 19h, no Teatro Municipal.
Formado em 2024 por artistas, pesquisadores e educadores, o grupo leva ao festival uma pesquisa teatral que combina diferentes linguagens e propõe ao público novas formas de perceber situações aparentemente comuns.
Uma padaria transforma a rotina em reflexão sobre a vida
Na história, um homem tenta obter uma informação simples, mas se vê envolvido por uma sequência de gestos, palavras, sons e silêncios. Enquanto algumas pessoas parecem reconhecer figuras do passado, outras perseguem um futuro que nunca chega.
A padaria funciona como metáfora de uma rotina marcada pelo trabalho, pela produtividade, pela busca da felicidade e pelo cumprimento de tarefas. Nesse ambiente, o tempo se repete, acelera, desacelera e ganha novos sentidos.
“Talvez a principal reflexão dessa obra esteja justamente na pergunta sobre o que cabe dentro de um instante”, explica Ritcheli Santana, criador e diretor do espetáculo. Para ele, a montagem também explora os encontros, as lembranças, as interrupções e as coincidências que alteram o rumo das trajetórias humanas.
A pesquisa de longa duração começou com a cena curta “Philip Glass Compra Pão” e avançou posteriormente no trabalho acadêmico de Santana em Artes da Cena. Movimento, luz, imagem e som ocupam posições importantes na composição.
Libras integra a dramaturgia e amplia as possibilidades da cena
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) tem papel essencial na construção dramatúrgica e performativa de “Um Instante”, em diálogo com a fala e os gestos. Segundo Luan Vieira, idealizador do projeto, a linguagem faz parte da própria concepção da obra, e não foi acrescentada apenas como tradução posterior.
A circulação também representa uma oportunidade de intercâmbio cultural e profissional para os artistas. William Lopes, produtor executivo e ator, destaca a importância de apresentar a montagem a públicos com diferentes sotaques, experiências e formas de compreender o mundo.
O grupo pretende levar de volta às regiões onde atua novos conhecimentos, contatos e possibilidades de criação. Julya Avila, também idealizadora do projeto, ressalta que a proposta é permitir diferentes interpretações a partir das experiências de cada espectador.