Cariocas pechincham na praia para fugir dos altos preços no período dos Jogos

Já na loja oficial da Rio 2016 não tem jeito: miniatura da tocha, de 27 cm, custa R$ 550

Por gabriela.mattos

Rio - A Olimpíada não só vai mexer com a rotina do carioca como já vem causando mudanças nas areias da Zona Sul. À espera do aumento do movimento nas praias, alguns comerciantes já começam a subir os preços de produtos, como por exemplo de cadeiras, cerveja e até da água. Para fugir dessa ‘inflação’, no entanto, os clientes estão se valendo do poder de barganha, principalmente neste momento em que a concorrência entre os barraqueiros está mais acirrada.

Com a instalação da arena de vôlei de praia em Copacabana, por exemplo, muitos comerciantes do Leme tiveram que se deslocar para outros trechos da orla e se instalar perto de outras barracas. Diante do aumento da oferta, clientes pechincham e conseguem driblar a alta de preços provocada pela chegada de turistas para os Jogos.

Algumas barracas em Copacabana já aumentaram o preço do aluguel de cadeiras para R%24 10 com a proximidade dos Jogos. Quem pechincha%2C no entanto%2C consegue frear a altaAlexandre Brum / Agência O Dia

“Minha barraca veio do Leme para cá (Copacabana) e estou trabalhando com uma concorrência maior. Tenho que fazer promoções para segurar o cliente”, diz o barraqueiro Lindinalvo Vieira, 51 anos, que manteve o preço da cadeira, por R$ 5, e do guarda-sol por R$ 10. No entanto, outros comerciantes já subiram o valor desses itens.

No trecho da Praia de Copacabana perto do Rio Othon Palace, há quem cobre R$ 10 pela cadeira e R$ 15 ou mais pelo guarda-sol. O ‘latão’ de cerveja (473 ml), que já tinha aumentado no verão de R$ 6 para R$ 7, está custando R$ 8. Banhistas relatam ainda que alguns ambulantes estão cobrando R$ 5 pela água.

A publicitária Juliana Bueno, 28, garante que negociando dá para economizar. Paulista, a jovem está passando uma temporada no Rio com outras amigas e conseguiu reduzir o preço da caipirinha em até 50%. “Chegamos aqui e nos cobraram R$ 7 na cadeira. Negociamos e baixamos para R$ 4. A caipirinha sairia a R$ 20. Fomos conversando e conseguimos pagar R$ 10”, conta a publicitária.

A copeira Geosa Couto, 33, reclamou da alta da cerveja: “Os comerciantes já estão cobrando a mais por causa da Olimpíada. Tive de pagar R$ 8 pelo latão”.

Na tenda montada nas areias de Copacabana, que vende artigos oficiais com a marca Rio 2016, os preços também são alvo de reclamações. O mais caro é uma miniatura da Tocha Olímpica, de 27 centímetros, que custa R$ 550. As camisetas de manga curta variam de R$ 100 a R$ 250. Uma sandália Havaiana, com a logo dos Jogos, sai por R$ 45. Os artigos mais em conta são lápis, pulseiras e broches, a R$ 25.

“A verdade é que essa loja é para estrangeiros. Eu não compro um lápis por R$ 30. A realidade do brasileiro é outra”, disse Elizangela Paula Soares, 38, dona de casa que veio de Vilar dos Teles para visitar Copacabana.

Com a estagiária Daniele Bacelar

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