Por felipe.martins

Rio - À medida que os Jogos Olímpicos se aproximam, a cidade dá sinais de estar cada vez mais alerta em relação à segurança. Ontem, os cariocas puderam ver o desembarque de fuzileiros navais em plena Praia do Flamengo, militares nos aeroportos e um simulado com tiros e bombas na estação do Maracanã do metrô. Todas essas cenas fazem parte dos treinamentos finais para a atuação no evento que começa daqui a 16 dias.

No Aeroporto Internacional Tom Jobim, a encenação virou realidade e uma bolsa esquecida no Terminal 2 fez com que policiais federais, civis e militares e agentes da Força Aérea chegassem a isolar uma área até que fosse descartada a hipótese de bomba. Foi só um susto, mas o titular da delegacia da PF do Galeão, Fábio Andrade, garantiu que a experiência foi válida para todos os envolvidos.

“Nós verificamos a necessidade da vigilância eletrônica, tempo de resposta e eventual necessidade de acionamento de outra força de contingência. Foi muito importante para a gente interagir e entender bem os protocolos que devem ser adotados dentro do aeroporto. Na minha avaliação, foi além do que a gente esperava”, afirmou.

Fuzileiros navais desembarcam na Praia do Flamengo para simular combate a um protesto violento no Monumento dos PracinhasMaíra Coelho / Agência O Dia

Por lá vão atuar cerca de 1,2 mil agentes de segurança que estarão aptos a interceptar qualquer bagagem suspeita. O protocolo envolve uso de equipamento eletrônico, câmeras de vigilância, cães farejadores e grupo antibombas. De acordo com a Polícia Federal, cerca de 30 malas abandonadas são identificadas por dia e 80% dos casos são de pessoas que somente esqueceram a bagagem. A PF pede que os passageiros fiquem ainda mais atentos, para evitar que protocolos sejam adotados sem motivo.

Na Estação Maracanã do MetrôRio, agentes trabalharam com a hipótese de um atirador invadir o local. O treinamento de 120 profissionais das Forças Armadas começou com o acesso de um suspeito armado à estação que feriu dois funcionários da concessionária e fez outros quatro reféns em uma composição. No desfecho do exercício, equipes especializadas em antiterrorismo retomaram a composição usando táticas de incursão e tiro seletivo.

Já no Sambódromo, cerca de 500 bombeiros participaram da simulação de explosão de uma bomba. Além de ações de combate a chamas, eles treinaram o transporte de feridos com helicóptero, que pousou no Sambódromo e seguiu até o Hospital Salgado Filho, no Méier. “Atendemos nosso objetivo com esse treinamento. Foi a simulação de um terrorista que explode uma bomba e tem feridos. Mais uma vez foi possível testar protocolos de atendimento na prática”, explicou o tenente-coronel Sérgio Coutinho, um dos responsáveis pela ação.

E, no Aterro do Flamengo, cerca de mil fuzileiros navais encenaram a contenção de uma manifestação violenta que estaria acontecendo nos arredores do Monumento aos Pracinhas. A ação durou cerca de 1h30 e contou com a chegada de duas embarcações que vieram pelo mar. O Comandante Ricardo Pilar afirmou que a ação aconteceu em tempo razoável. De acordo com ele, cerca de 4,5 mil fuzileiros vão atuar nas ruas em conjunto com os órgãos de Segurança Pública do estado, além de cerca de 6 mil militares da marinha. Oficialmente, os militares começam o patrulhamento nas ruas no domingo.

MP CONTESTA MULTA POR TRÁFEGO EM FAIXA EXCLUSIVA

O Ministério Público do Rio de Janeiro ingressou com uma ação civil pública para impedir que a Prefeitura do Rio aplique multas de R$ 1,5 mil a motoristas que trafegarem em faixas exclusivas destinadas a veículos da Rio-2016. Segundo a 6ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital, o decreto que instituiu a penalidade é abusivo e inconstitucional.

Isso porque o decreto municipal, publicado no dia 21 de junho, cria a Rede de Faixas Olímpicas e Paralímpicas para uso de veículos credenciados pelo Comitê Rio 2016 durante o período de abrangência dos eventos, entre 25 de julho até 18 de setembro de 2016. Nessas faixas, somente carros credenciados poderão trafegar.

No entanto, a prefeitura não submeteu a mudança ao aval do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), determinou a faixa com a cor verde — não existente no Código Brasileiro de Trânsito — e fixou uma multa de R$ 1.500 para a infração. A multa é 1.664% superior ao máximo estabelecido no âmbito nacional para o mesmo tipo de infração, que é de R$ 85,15. Para legislar sobre o trânsito, a prefeitura recorreu à Lei Ordinária Municipal nº 5.924, de 14 de agosto de 2015, que estabelece regras especiais para a realização dos Jogos.

A decisão final sobre a suspensão ou não do decreto ficará a cargo da 1ª Vara de Fazenda na Central de Assessoramento Fazendário. Na ação, a Promotoria afirmou que esse tipo de sanção não poderia ser imposto por meio de decreto e que a medida invade a competência da União para legislar.

“Embora seja lícita a instituição de condições, proibições, obrigações ou restrições no uso das vias, mostra-se ilegal, abusiva e inconstitucional a instituição de multa diversa daquela prevista no Código de Trânsito”, destaca a ação. O início do funcionamento das faixas está previsto para o próximo dia 26. A prefeitura informou que ainda não foi notificada sobre a ação.

Você pode gostar