Tiros no Morro Santa Marta assustam moradores na região de Botafogo

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local realizam uma operação e, às 9h10, a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, também iniciou uma ação na comunidade. Moradores relatam a rotina em meio ao tiroteio

Por CÁSSIO BRUNO

Morro Santa Marta
Morro Santa Marta -

Rio - Moradores de Botafogo e adjacências acordaram ao som de tiros vindos do Morro Santa Marta, na Zona Sul, na manhã desta quarta-feira. De acordo com a PM, policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local fazem uma operação. Às 9h10, a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, também iniciou uma ação na comunidade. 

O tiroteio começou por volta de 6h30 e durou cerca de meia hora, causando pânico em quem passava pela Rua São Clemente e nas ruas de acesso à comunidade. A rotina de quem chega ou precisava sair da comunidade também foi completamente alterada. Uma pessoa foi detida na entrada do Santa Marta e levada para a 10ª DP (Botafogo) para averiguação. No alto do morro funcionam, duas creches filantrópicas e uma Faetec e pelo menos uma das unidades, que atende 60 crianças de seis meses a 3 anos, não funcionou.

"A sensação é de medo e incapacidade", reclamou a professora da creche Santa Marta Juliane Colino, de 26 anos, que não conseguiu entrar no morro por conta do tiroteio. A balconista Cristiele Ferreira Gonçalves, de 38 anos, que mora no Cosme Velho, ficou impedida de deixar a filha de 2 anos na escola ou com os avós no local e teve que levá-la para o seu trabalho. Ela conta que é a segunda vez que passa por essa situação.

"A primeira vez foi há um mês, minha filha e outras crianças tiveram que ficar escondidas em uma sala para escapar dos tiros. A gente não sabe o que fazer nessas horas por causa da violência. Espero que tudo se acalme", disse.

Uma clínica da família também teve o seu funcionamento prejudicado, já que a maioria dos funcionários não conseguiu chegar ao trabalho, principalmente técnicos de enfermagem. A unidade faz cerca de 250 atendimentos por dia, mas hoje está reduzido ao atendimento básico, com coleta de sangue e consultas que já estavam marcadas.

Visitas com turistas canceladas

Na Praça Corumbá, na entrada do Morro Santa Marta, funciona um posto para atender turistas que visitam a comunidade, com 12 guias credenciados pelo Ministério do Turismo. Hoje estavam previstas três visitas com 18 estrangeiros, vindos da Inglaterra, França, Chile e Estados Unidos, mas foram canceladas. 

"Viramos reféns. Que turista virá aqui depois desse tiroteio? Tive que cancelar todas as visitas. Não vou por em risco a minha vida e nem a de ninguém", disse a guia Salete Martins, ela é moradora do Santa Marta. Ela reclamou operação da polícia na hora em que as pessoas saem para trabalhar.

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