Família e amigos se mobilizam para provar inocência de homem preso acusado de roubo

Antonio Rodrigues Jr., que trabalha como motorista de aplicativo, teria sido confundido com ladrão que roubou cônsul-geral da Venezuela no Rio. Vídeo do roubo mostra que preso é diferente do assaltante, denunciam pessoas próximas

Por ADRIANO ARAÚJO

Parentes de Antonio Carlos afirmam que ele foi detido por engano
Parentes de Antonio Carlos afirmam que ele foi detido por engano -

Rio - Um motorista de aplicativo foi preso, sob acusação de assalto à mão armada, no Centro do Rio. Familiares e amigos, porém, asseguram que o suspeito não cometeu o crime. E garantem que vão reunir provas para inocentá-lo. Antonio Carlos Rodrigues Junior, de 43 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo na sexta-feira, quando foi levado para a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) sob a alegação que participou de um roubo ocorrido dentro de prédio onde funcionam escritórios do Consulado Geral da Venezuela, em junho. A vítima, inclusive, é cônsul-geral adjunta.

Segundo familiares de Antonio, inicialmente, um dos envolvidos no roubo foi preso. A polícia teria chegado até Antonio Carlos através de fotos publicadas no Facebook, onde haveria uma imagem dele com o criminoso durante um Carnaval. Prw, como é conhecido pelos amigos, toca em vários blocos da cidade durante a festa momesca.

Assista vídeo que mostra ação dos bandidos que roubaram cônsul

Ainda segundo parentes e amigos, vídeos do circuito interno do prédio, na Avenida Presidente Vargas, mostram que Antonio Carlos e o ladrão procurado "são completamente diferentes". Entretanto, a cônsul-geral adjunta do Rio, vítima do assalto, o reconheceu como um dos criminosos que a abordou no elevador. O primeiro homem preso disse que Antonio não era o seu comparsa e teria até dado um outro nome para identificar o ladrão. Porém, ainda segundo familiares, a versão teria mudado no inquérito.

"Pegaram uma foto dele de óculos e dizem que é ele, mas até quem não conhece vê que uma pessoa não tem nada a ver com a outra. Agora preto e careca é tudo igual? Só porque ela é cônsul vira lei? Ninguém te ouve, sai prendendo. Tem muito equívoco nisso. A cônsul foi lá e reconheceu, mas a delegada já estava com a filmagem, e ele ali, pessoalmente. É um absurdo, é notório que eles não são a mesma pessoa", critica Leonardo Ribeiro, irmão de Antonio.

Leonardo é professor de capoeira, mora em Maricá e largou tudo para acompanhar de perto o caso. A mãe dos dois ainda não sabe da prisão de Prw "Ela mora em Maricá e nem passamos a situação para ela ainda, porque o desespero vai ser maior", contou.

Uma advogada acompanha o caso e tenta através do aplicativo conseguir a rota que ele fazia no momento do crime para, junto das imagens, pedir o habeas corpus de Antonio. Um abaixo-assinado também é feito por amigos para comprovar a sua idoneidade. O caso, inclusive, já tem dezenas de compartilhamentos em redes sociais como Facebook e WhatsApp.

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Os vídeos, compartilhados na Internet, mostram que o roubo ocorreu às 14h05. Às 13h35, Prw teria enviado sua rota para a esposa, o que costuma fazer, mostrando que estava em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Ele foi transferido nesta segunda-feira para a Cadeia de Benfica. Segundo o irmão, ele está devastado.

"Ele está muito nervoso pela injustiça. Vamos levantar a rota dele no dia 6 de junho (dia do crime) para juntar ao pedido de soltura, além das várias fotos comparando com o assaltante", contou.

"Meu Deus, faça misericórdia, que dor horrível saber que uma pessoa que a gente gosta está sofrendo. Meu amigo não é bandido, ele sempre foi honesto e trabalhador. Justiça dos homens pode ser falha, mas o Senhor é único. #SomosTodosAntonioCarlos", diz uma das postagens em defesa do preso.

Procurada desde segunda-feira para explicar as circunstâncias do caso e se posicionar sobre as denúncias da família e amigos, a Polícia Civil disse apenas que "a investigação está sob sigilo". A reportagem ligou para Valéria Aragão, titular da Deat, mas ela não retornou às ligações. O DIA também entrou em contato com o Consulado da Venezuela no Rio, mas ainda não obteve resposta.

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Parentes de Antonio Carlos afirmam que ele foi detido por engano Reprodução Facebook
Imagens do ladrão e Antonio Carlos (foto à direita), preso injustamente, se espalharam nas redes sociais Reprodução Internet

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