
Rio - "Atenção, moradores de Santa Cruz: milicianos tomaram a Favela do Rodo e traficantes do CV (Comando Vermelho) estão reunidos em Antares para retomar a comunidade. Evitem as ruas no período da noite que o pau vai quebrar. São mais de 130 homens armados de fuzis aqui em Antares".
O alerta, postado no Facebook, às 17 horas de sexta-feira, dia 27, deveria despertar o interesse não apenas dos moradores da Zona Oeste, onde ficam as favelas do Rodo e de Antares, mas também das autoridades.
Alheios à intervenção federal que colocou a Segurança Pública do Rio sob o bastão dos generais, as facções criminosas que controlam as comunidades intensificaram sua guerra particular pelo domínio de territórios. Não existe um controle do Estado sobre a movimentação sanguinária delas, mas as notícias dos 'fronts', divulgadas pelas redes sociais, indicam que, em cinco meses, o Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP), ADA (Amigos dos Amigos) e as milícias protagonizaram, pelo menos, 50 batalhas por territórios. Isso sem contar com os ataques-surpresa, sem a ocupação da área, como aconteceu na própria sexta-feira, quando os traficantes do ADA da Vila Vintém atacaram a Favela do Rebu, reduto do TCP.
As batalhas acontecem tanto nas pequenas comunidades, como a do Pica-Pau, em Cordovil, quanto em complexos gigantescos, como o da Rocinha, onde a guerra entre CV e ADA já vai fazer aniversário. As marcas dos confrontos na comunidade estão nas paredes das casas, 'peneiradas' por tiros. "O projeto das UPPs, que era ligado aos grandes eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas), inibia a disputa do território, mas nunca afetou em nada a estrutura do tráfico como negócio", explica o cientista social Marcelo Biar. "Tanto que quem tinha medo de subir a comunidade para ir à boca de fumo, na época das UPPs, se sentia bastante seguro", afirma.
Procurado, o gabinete de intervenção, em comunicado padrão, garantiu que a ação dos traficantes consta no Plano Estratégico do Gabinete de Intervenção Federal (GIF). "Nele estão estabelecidas ações estratégicas como recuperar a capacidade operativa dos órgãos de Segurança Pública e reduzir os índices de criminalidade". Com relação à milícia, o GIF informou que "a investigação continua a cargo das áreas de inteligência da Secretaria de Segurança e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE)".
O Exército está aí faz tempo, mas a população do Rio continua aguardando a chegada da cavalaria.





