Policiais militares foram acionados ao Grajaú para negociar a rendição de Ricardo (no detalhe), em vão -  Estefan Radovicz / Agência O Dia
Policiais militares foram acionados ao Grajaú para negociar a rendição de Ricardo (no detalhe), em vão Estefan Radovicz / Agência O Dia
Por Adriano Araujo e Rafael Nascimento

Rio - Um policial civil fez a ex-mulher e dois filhos reféns, na manhã desta sexta-feira, em uma residência no bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio. Ricardo Chaves Moraes Costa, 57 anos, inspetor da Polícia Civil, tirou a própria vida com um tiro na cabeça. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) chegaram a ir para o local para tentar negociar sua rendição, mas ele não quis se entregar.

O caso aconteceu na Rua Itabaiana, próximo à Rua Mearim. Recentemente separados, eles estariam brigando por conta da divisão do valor da venda da casa que a ex morava. Quando a família era feita refém foram ouvidos três disparos dentro casa. Antes disso, um dos rapazes conseguiu sair da residência e chamou a polícia. A ex-mulher e os filhos, maiores de idade, não ficaram feridos. O quarteirão chegou a ficar fechado para o trabalho dos policiais e bombeiros, que foram chamados para prestar socorro, mas o inspetor não resistiu e morreu.

Ricardo Chaves Moraes Costa, 57 anos, inspetor da Polícia Civil - Reprodução

Um policial amigo do inspetor disse que ele era uma pessoa "tranquila, calma", mas que o casal, que se separou recentemente, brigava muito por conta da divisão do imóvel, que ele teria pago 70%, mas a ex queria que a divisão fosse igual.

"Sempre foi essa confusão entre os dois. Estive com ele esta noite, era um amigo, companheiro, parceiro. Problemas familiares às vezes causam isso, tem gente que não sabe lidar", lamentou Wilson Nascimento, 75 anos, falando que o amigo morava em hotéis.

Nascimento contou também que o amigo teria descoberto um tumor no cérebro e uma gastrite. Ele entraria com um pedido de licença médica para tratar da saúde em breve. "Ele estava tomando vários medicamentos. Estou sem chão", falou. 

Corpo do inspetor da Polícia Civil Ricardo Chaves Moraes Costa é retirado da casa onde tirou a própria vida após fazer a ex-mulher e filhos reféns, no Grajaú - Estefan Radovicz / Agência O Dia

O inspetor estava lotado atualmente lotado na Academia da Polícia Civil (Acadepol) e partir desta sexta-feira começaria a trabalhar na 18ª DP (Praça da Bandeira). Ele já estaria perto de se aposentar, faltando cerca de dois anos de serviço. 

O caso será investigado pela 20ª DP (Vila Isabel). A perícia foi realizada e as investigações seguem em andamento. A instituição não deu maiores detalhes sobre a vida profissional do policial e ainda não há informações sobre o seu enterro.

Caso a poucos metros da casa do governador

O caso aconteceu a menos de 400 metros da Rua Professor Valadares, onde fica a residência do atual governador do Rio, Wilson Witzel. A Rua Itabaiana, onde o inspetor invadiu a casa da ex e depois se matou, é paralela à da casa do atual gestor do executivo do estado. Ele estaria saindo para cumprir sua agenda de compromissos no governo quando o crime ocorreu. 

O secretário de Administração Penitenciária (Seap) também mora na região e foi até o local. "Conhecia ele e vim saber como está a situação, como morador da região. Pelo que sabemos, a situação já está controlada e a família está bem", disse Andre Caffaro Andrade, que assumiu a pasta no governo de Wilson Witzel.

Casa onde o inspetor da Polícia Civil Ricardo Chaves Moraes Costa tirou a própria vida após fazer a ex-mulher e filhos reféns, no Grajaú, que fica a poucos metros da residência do governador Wilson Witzel - Estefan Radovicz / Agência O Dia

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