Mário Peixoto - Reprodução
Mário PeixotoReprodução
Por Bernardo Costa
Rio - Em depoimento na sessão de julgamento do processo de impeachment contra Wilson Witzel, na tarde desta quinta-feira, o empresário Mário Peixoto negou que seja o proprietário da OS Unir Saúde, requalificada no governo de Witzel para firmar contratos com o poder público mesmo após parecer contrário de órgãos de controle do próprio governo por suspeitas de desvios na saúde. O ato de requalificação da Unir é um dos pontos da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que levaram ao afastamento de Wilson Witzel do governo.
"Em quatro anos de investigação do MPF na Operação Favorito não há nenhuma transcrição de diálogo, email ou qualquer documento que prove que eu tenha ligação com a Unir", disse Mário Peixoto, que ainda negou ser proprietário de qualquer OS.
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O deputado estadual Luiz Paulo questionou sobre encontro que Peixoto teria tido, em restaurante no Centro do Rio, com Witzel, o ex-secretario de Saúde Edmar Santos e Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico. Luiz Paulo leu trecho da delação premiada de Edmar Santos em que ele afirmou que Peixoto havia pedido, no encontro, a requalificação da OS Unir para contratos com o estado.
Mais uma vez, Peixoto negou: "O encontro se deu por acaso. Durou 10 minutos e não tratamos sobre esse assunto. Na delação, Edmar diz que acredita que o pedido tenha partido de mim. Isso é uma ilação".
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"Por que essa ilação se volta contra o senhor?", perguntou Luiz Paulo. "Qualquer criminoso pode se voltar contra qualquer pessoa para se livrar das acusações. Antes de ele ser preso, já havia boatos sobre isso é ilações do MPF. Ele foi induzido a corroborar essas versões. Não sou amigo nem inimigo de Edmar Santos. Mas, quando ele passa a me acusar, cresce sentimento de inimizade. E, provavelmente, vou lhe processar por isso", respondeu o empresário.
Perguntado se tinha sentimento de amizade ou inimizade por Witzel, Peixoto disse: "nenhum dos dois". Em relação a Lucas Tristão, o empresário disse que os dois tiveram relação quando Tristão o representou como advogado em uma causa pessoal e outra ligada à sua família. E que travaram relação de amizade.
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Sobre contratos com o Estado do Rio, Mário Peixoto disse que só firmou contratos com o poder público quando era sócio e diretor da empresa Atrio, entre 2012 e 2014, em serviços de mão de obra, como trabalhos como servente. E que a empresa, após 2014, passou para administração de seu filho até março de 2020.
Sobre participação de Peixoto na contratação da Iabas, o empresário mais uma vez negou a acusação, atribuindo a informação a ilação do MPF.
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Secretário de Saúde relata ameaça
O atual secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, disse que está sendo ameaçado de morte. "Nós estamos mexendo num vespeiro", disse se referindo aos contratos firmados com as OSs e o Estado do Rio na área da saúde.
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Segundo o secretário, todos os contratos firmados com as OSs não tinham nenhuma fiscalização ou tinham fiscalização precária. "Parece que era tudo feito para não dar certo. Tudo que estou encontrando, estou levando aos órgãos de controle".
Sobre o Hospital de Campanha do Maracanã, Chaves disse que, na sua segunda semana de gestão, encontrou na unidade sete depósitos de equipamentos que estavam parados, sendo deteriorados. E que todos foram catalogados e distribuídos para outros hospitais.