Se a Lamsa aceitar a proposta, Fux vai oficiar a 6ª Vara para iniciar a perícia
Se a Lamsa aceitar a proposta, Fux vai oficiar a 6ª Vara para iniciar a períciaDivulgação / Lamsa
Por O Dia
Rio - A Lamsa pediu 48 horas para consultar a viabilidade da sugestão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, para restabelecer o controle da Linha Amarela, com tarifa do pedágio a R$ 4, até a realização de uma perícia, que ocorreria em 90 dias. A proposta aconteceu durante audiência de conciliação, por videoconferência, nesta segunda-feira (5).
Por conta do impasse em relação ao valor da tarifa, o ministro sugeriu a cobrança de valor temporário, até que a 6ª Vara de Fazenda Pública do Estado faça a perícia nos contratos e aditivos para nova precificação. Após esse período e com mais informações, seria realizada nova audiência entre as partes no STF.
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O prefeito do Rio, Eduardo Paes, concordou com a sugestão. Se a Lamsa aceitar a proposta, Fux vai oficiar a 6ª Vara para iniciar a perícia. Caso contrário, o processo segue para julgamento no Plenário do Supremo.
"É importante o sinal de que a Justiça interveio no afã de conciliar, visando fazer prevalecer o que for melhor para as partes", declarou o ministro na audiência. Em nota, a Lamsa informou que "avalia a proposta de tarifa provisória" e que comunicará a decisão até a quarta-feira (7).
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Impasse entre a prefeitura e a Lamsa
O imbróglio entre a prefeitura do Rio e a Lamsa vem se arrastando desde 2018, quando o executivo municipal recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) com a alegação de que o contrato com a concessionária, firmado em 1994, teve prorrogações e aditivos que teriam causado prejuízos de R$225 milhões. À época, o então prefeito Marcelo Crivella disse que a Lamsa cobrava um valor acima do que deveria.
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Em outubro de 2019, funcionários da prefeitura chegaram a quebrar cabines do pedágio e liberar as cancelas, depois que a prefeitura assumiu a gestão da Linha Amarela. Depois disso, a Justiça devolveu a concessão da via à empresa e a prefeitura também recorreu. Em setembro de 2020, o STJ autorizou a retomada da prefeitura à administração da via e as cancelas ficaram liberadas para os motoristas. Mais uma vez, a Lamsa recorreu.

Poucos dias depois, Crivella anunciou a criação de um comitê gestor para garantir a operação da Linha Amarela e declarou que durante a pandemia da covid-19, não haveria cobrança de pedágio. No mesmo mês, o STJ negou o pedido da concessionária para reassumir o controle da via. Em outubro do ano passado, o então prefeito chegou a anunciar que a tarifa cobrada, após a pandemia, ficaria entre R$4 e R$5 em apenas um sentido.
Com a administração da Lamsa, o pedágio chegou a R$7,50. Em janeiro deste ano, a 21ª Câmara Cível determinou que a empresa voltasse a cobrar o pedágio da via expressa. Após a decisão, a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) tentou impedir que a tarifa voltasse a ser paga e anunciou que entraria com ação no Ministério Público pedindo a imediata redução do valor.
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Em fevereiro, após a negociação com a Lamsa ficar indefinida, o atual prefeito, Eduardo Paes, anunciou que pretendia iniciar uma licitação para a administração da Linha Amarela e que a prefeitura assumiria integralmente durante esse período. Ainda em fevereiro, a Lamsa entrou com uma ação na 15ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio, questionando o processo de encampação iniciado pela prefeitura.
A concessionária afirmou o direito do executivo à ação, mas citou a necessidade de instauração de procedimento administrativo específico e de notificação à concessionária com pelo menos 90 dias. A empresa também mencionou a garantia que tem, por lei, ao cálculo de indenização. No início de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a encampação da Linha Amarela e marcou uma audiência conciliatória para o dia 16 do mesmo mês.
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Dias depois, a Lamsa reassumiu a operação da via e anunciou a volta da cobrança do pedágio no valor de R$7,20. Mas, antes da retomada, Paes afirmou que a tarifa continuaria suspensa. A prefeitura chegou a publicar um decreto garantindo a não cobrança. Apesar de ter recorrido da decisão, a empresa não voltou a cobrar o pedágio. A audiência de conciliação de 16 de março terminou sem um acordo entre a prefeitura e a Lamsa, e uma nova reunião só foi realizada nesta segunda-feira (5).