Buraco na Rua Bartolomeu Portela, onde Hermínio Bello de Carvalho tropeçouCléber Mendes / Agência O Dia
Má conservação de calçadas é dor de cabeça para os cariocas
Poeta Hermínio Bello de Carvalho, de 88 anos, feriu um dos olhos e lesionou a coluna após tropeçar perto de casa. Moradores de diferentes pontos relatam acidentes
Rio - Em diferentes pontos do Rio, é fácil encontrar um carioca insatisfeito com as condições das calçadas. No início desta semana, o poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho, de 88 anos, publicou que feriu um dos olhos e lesionou a coluna ao tropeçar em pedras portuguesas soltas próximo à sua casa em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
Dona de um salão de beleza na mesma rua, Noca mora há 40 anos no local, mesmo período em que montou seu estabelecimento. Ela explicou que as condições da calçada são ruins e já presenciou outros acidentes.
"A calçada é péssima, muito buraco, muito mal conservada... A rua também é cheia de árvore longas, que tem muitas raízes embaixo. Fica até difícil de consertar. Já tiveram outros acidentes aqui na rua, não é o primeiro e nem o segundo. Há um mês atrás, caiu uma senhora também aqui na rua. Sangrou muito, ficou quarenta minutos no chão", contou.
Em nota, a Secretaria Municipal de Conservação lamentou o ocorrido e informou que fará uma vistoria na rua para tomar providências cabíveis. Contudo, a pasta esclareceu que, por lei, a responsabilidade pela manutenção e pelo conserto da calçada é do proprietário, inquilino, condomínio ou estabelecimento comercial. "Cabe à Seconserva executar os reparos em calçadas que ficam diante de prédios públicos, na orla ou no entorno de áreas de uso comum, como praças e parques", comunicou.
Os buracos nas calçadas não são uma excepcionalidade da Rua Bartolomeu Portela. Na Tijuca, na Zona Norte, a dentista Andrea Cláudia Cavalcante, de 52 anos, também sofreu uma queda enquanto se encaminhava ao local de trabalho.
"Tropecei em um buraco na Rua Henry Ford, rolei, dei algumas voltas na rua até cair feio mesmo. Fui amparada por algumas pessoas no momento, me levantei e fui para o trabalho, achando que fosse uma coisa boba. Só depois vi que tinha tido uma queda séria, fiquei com vários hematomas, com dores que me custaram bastante cuidado. Ninguém vê isso, ninguém dá assistência para a gente. Andando pela Tijuca, vejo que tem muitos buracos, vários idosos se acidentam. Me deparo até com cenas que, de repente, tenho que socorrer alguém do meu lado", explicou Andrea.
Os buracos são problemas que vão além dos pedestres. O estudante Gabriel Cunha, de 23 anos, passou por um problema enquanto andava de bicicleta na ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos principais cartões-postais da cidade. Ele contou que, como estava de escuro, foi surpreendido por um buraco com profundidade de aproximadamente 30 centímetros.
"Foi uma situação bastante desagradável, na verdade. Voltando do trabalho de bicicleta, ao passar pela ciclovia próxima ao Lagoon, acabei por encontrar um buraco enorme bem no meio da pista, que estourou meu pneu traseiro. Foi um contratempo e tanto, além do risco de ter me machucado, ainda tive que carregar a bicicleta até em casa e pagar o conserto do pneu. É frustrante ver uma ciclovia em uma área tão movimentada e relativamente nova em um estado de conservação tão precário", lamentou.
De acordo com a Seconserva, equipes da secretaria realizam, regularmente, fiscalização e manutenção de calçadas em todas as regiões da cidade do Rio de Janeiro. Em caso de dúvida ou solicitação, o cidadão deve ligar para o número 1746, canal entre a prefeitura e a população.






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