Macaé – Exatos 10 dias após o acidente que tirou a vida da engenheira civil Rafaela Martins de Araújo, de 27 anos, em uma obra da Petrobras em Macaé, no Norte Fluminense, a família se vê entre diferentes sentimentos, como tristeza e frustração. O primeiro, claro, pela perda, e o segundo, pela postura da estatal e da terceirizada MJ2 Engenharia, que segundo Ismael de Araújo, pai da jovem, não têm dado o suporte esperado.
Em entrevista ao DIA, Ismael relatou que desde 7 de outubro, data da tragédia – quando Rafaela teria sido atropelada por um rolo compressor, segundo hipótese levantada pelo Sindicato de Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) –, somente nesta quarta (16), Petrobras e MJ2 fizeram um primeiro contato com ele e Andreia Martins, mãe da vítima.
Ele conta que os departamentos de assistência social de ambas as empresas procuraram a família somente por meio de ligações e mensagens e lamenta: “Estão distantes, principalmente a Petrobras, que é uma gigante. A MJ foi mais próxima, mas poderia ter dado mais assistência”.
Sobre o Sindipetro-NF, Ismael afirma que o procuraram para garantir que estão acompanhando as investigações e retornarão assim que houver o resultado da perícia.
A propósito, outro sentimento que toma a família é a angústia, muito por conta da falta de explicações sobre a tragédia: “Nos sentimos à deriva porque não tivemos nenhuma resposta sobre o que ocasionou o acidente. Nós perdemos uma filha, né?”, reforça Ismael, sem descartar recorrer a uma medida judicial: “Queremos justiça para que isso não aconteça novamente, e outra família sofra o que estamos sofrendo. Vamos atrás de justiça até o fim”.
Respostas A reportagem também procurou as empresas citadas pelo pai de Rafaela. Por nota, a Petrobras assegura que mantém contato permanente com a família da engenheira por meio do esposo dela, Milton, que trabalha como coordenador da MJ2. A estatal menciona também que, no dia do acidente, seus profissionais de saúde (médico, assistente social, psicólogo e enfermeiro) ofereceram suporte, presencialmente, a Milton, que estava no local da ocorrência.
A empresa acrescenta ainda que acompanhou o processo de translado e sepultamento do corpo – que ficaram a cargo da MJ2 – e tem disponibilizado suporte social e psicológico aos profissionais que atuam na unidade onde se deu a tragédia.
Já a MJ2 garante que sempre teve contato com família. A terceirizada diz não compreender o porquê das acusações de distanciamento, mas entende o momento de dor dos familiares, que podem estar se expressando “de uma forma que parece algo diferente do fato”.
A Polícia Civil divulgou que agentes da 123ª DP (Macaé) ouvirão testemunhas e realizam outras diligências para esclarecer os fatos.
Rafaela, ao lado do pai Ismael, no casamento do qual foi madrinha às vésperas do acidenteArquivo pessoal
Mensagens pouco antes da tragédia
Natural de Suzano (SP), onde ocorreu o velório, Rafaela era formada em engenharia civil havia cinco anos, mesmo período praticamente em que trabalhava como coordenadora na MJ2 Engenharia, emprego que a fez se mudar para Macaé.
Como a família ficou no interior paulista, o vai e vem da engenheira entre os dois municípios era praticamente mensal. Inclusive, dois dias antes do acidente, ela esteve na cidade natal: “No sábado (5), ela veio porque era madrinha em um casamento. Estava linda, uma alegria só, como sempre. No domingo (6), retornou a Macaé e, como de costume, me mandou mensagem perto das 23h para dizer que havia chegado bem”, recorda Ismael.
Ele relembra ainda um papo com a jovem momentos antes do acidente: “Mandei mensagem dizendo ‘bom dia. Deus abençoe sua semana’. Ela respondeu pedindo as fotos do casamento que eu tinha tirado no meu celular. Isso foi às 7h40. Às 10h, recebi a notícia. Estamos sem chão, vivendo um pesadelo, arrasados pela maneira como foi. Os dias não são mais os mesmos”.
Mas apesar da tristeza, o pai busca forças para encerrar a entrevista com as boas lembranças da filha: “A Rafa era maravilhosa, uma filha ímpar. Tinha um coração gigante, era generosa e humilde. Aonde chegava, era só alegria. E amava o Rio e viajar, principalmente para os Estados Unidos, para onde tinha ido algumas vezes”.
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