Procon oferece suporte aos familiares que enfrentam dificuldades no acesso aos serviços de saúdeÉrica Martin/Agência O Dia

Rio - Um mutirão atende, nesta terça-feira (23), famílias de crianças atípicas conveniadas à Unimed Ferj. No último mês, pais de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências têm relatado a suspensão de tratamentos e demora para conseguir cirurgias. A ação acontece na sede Procon-RJ, na Cidade Nova, juntamente com a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon). 
Os atendimentos serão realizados até às 17h, na Rua Beatriz Larragoiti Lucas, nº 121, para oferecer suporte individualizado aos familiares que enfrentam dificuldades no acesso aos serviços de saúde. Dois ônibus foram disponibilizados para transportar as mães atípicas até o ponto de atendimento. No último dia 9, os responsáveis fizeram um protesto contra a suspensão de terapias por falta de pagamentos da operadora às unidades conveniadas. 
"Estamos diagnosticando caso a caso, porque tem mães com liminar da Justiça que não foram cumpridas, caso que simplesmente foi interrompido o tratamento do filho sem explicação. Vamos individualizar todos os casos, serão criados processos administrativos para, junto do gabinete de crise, tomar decisão imediata", afirmou o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.
Após o ato das famílias, a Sedcon e o Procon-RJ criaram um gabinete de crise para garantir atendimento da Unimed Ferj à crianças com deficiência e a pessoas em tratamento oncológico, que também vêm enfrentando falta de medicamentos e cancelamento de tratamentos. De acordo com o secretário, a medida já vem apresentando resultados, com a adoção de medidas para a retomada dos serviços. 
"Nós criamos um gabinete de crise que está cuidando, imediatamente, de duas situações com a Unimed Ferj: a questão do tratamento oncológico e a questão das mães atípicas. O gabinete tem diversos papéis fundamentais, um deles é a celeridade na solução dos casos, porque muitas das vezes o consumidor fica sem resposta (...) Dentro do gabinete de crise, tem pessoas com tomadas de decisão rápidas. Já tem casos que comprovam a evolução na celeridade dos assuntos do gabinete".
O gabinete de crise é composto por representantes da Unimed Ferj, da Sedcon e do Procon-RJ, da Associação Nenhum Direito a Menos (ANEDIM), de defesa dos direitos das pessoas com deficiência, e mães de crianças atípicas têm representação.
Mãe de uma criança com síndrome de Rett, TEA e epilepsia, Leonela Mendonça contou que a filha teve terapias suspensas pelo plano de saúde e que o quadro dela tem se agravado, chegando a sofrer uma escoliose que comprimiu os órgãos. Ela relata que a menina precisava passar por uma cirurgia, que só ocorreu no último dia 13, após queixa no Procon e uma ordem judicial. 
"A gente agora está na luta para as terapias, porque o pós-operatório precisa de terapia. A terapia não é luxo, ela mantém a qualidade de vidas das crianças. Minha filha hoje, eu posso falar com toda a certeza e tenho como provar: foi a terapia que salvou a minha filha. Nesse período ela estava sendo acompanhada por uma equipe multidisciplinar, que estava dando todo apoio até essa cirurgia chegar, só que demorou muito", desabafou. 
Pacientes oncológicos reclamam da Unimed Ferj
Além das crianças atípicas, pacientes oncológicos também relatam dificuldades no atendimento. Em agosto, diversos usuários que já eram atendidos pela Oncoclínicas e outras unidades foram transferidos para o recém-inaugurado Espaço Cuidar Bem, em Botafogo, Zona Sul, por conta do descredenciamento da operadora. No entanto, houve queixas sobre a falta de profissionais, medicamentos e problemas na estrutura do espaço. O estabelecimento chegou a ser autuado pelo Procon-RJ e alvo de uma ação da Justiça. 
A Oncoclínicas chegou a interromper o serviço por falta de pagamentos. Segundo a companhia, a empresa tem uma dívida de aproximadamente R$ 790 milhões. O centro de tratamento retomou o atendimento a pacientes oncológicos que ainda não tinham sido transferidos pela operadora. No último dia 15, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu uma série de exigências à Unimed Ferj para normalizar a assistência aos pacientes oncológicos