Rio - Movimentos sociais e coletivos ligados à pauta antirracista realizaram, nesta sexta-feira (31), manifestações em várias cidades brasileiras contra a megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha, Zona Norte do Rio. A ação policial, realizada na última terça-feira (28), terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais.
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A mobilização ocorreu simultaneamente nos seguintes locais:
Sudeste Complexo da Penha (Rio de Janeiro): Campo do Ordem Penha Nova Iguaçu (Baixada Fluminense): Praça dos Direitos Humanos Belo Horizonte (MG): Praça 7 Vitória (ES): Prainha de Itararé Juiz de Fora (MG): Rua Halfeld, em frente ao BB São Paulo (SP):Museu de Arte de São Paulo Baixada Santista (Santos – SP): Estação Cidadania, Av. Ana Costa, 340
Sul Florianópolis (SC): Em frente ao TICEN Porto Alegre (RS): Esquina Democrática Joinville (SC): Praça Nereu Ramos Curitiba (PR): Praça dos Andrade
Centro-Oeste Brasília (DF): Museu da República
Nordeste Salvador (BA): Praça da Piedade Recife (PE): Palácio do Campo das Princesas Fortaleza (CE): Praça da Gentilândia Natal (RN): Shopping Midway São Luís (MA): Praça Deodoro Aracaju (SE):Praça Franklin Roosevelt, bairro América Feira de Santana (BA): em frente à prefeitura
Norte Belém (PA): UEPA CCSE (Telégrafo)
Os organizadores classificam o episódio como "uma expressão da violência estatal contra populações negras e periféricas". Entre as principais reivindicações estavam a abertura de investigações sobre a operação, responsabilização dos envolvidos, revisão das políticas de segurança pública e o fim da militarização das ações policiais em territórios de favela. Além de denunciar a violência, os atos também buscaram prestar solidariedade às famílias afetadas e chamar atenção para o impacto da ausência de políticas públicas nas comunidades.
A convocatória pedia que os manifestantes levassem velas e vestissem roupas brancas como símbolo de respeito às vítimas. O Campo do Ordem Penha, no Complexo da Penha, foi o primeiro local onde o ato teve início. Às 13h, moradores e apoiadores começaram a ocupar a quadra. Nem mesmo a chuva atrapalhou a concentração do grupo. Em seguida, dezenas de motociclistas, acompanhados pela Polícia Militar, seguiram em direção à Avenida Brasil. Veja o vídeo:
Viaduto da Penha, manifestação por conta da última operação no complexo da penha. pic.twitter.com/ZWtRpg7ner
Reunidos, os manifestantes, entre eles muitas crianças e mães, cantaram um trecho da música Rap da Felicidade, que diz: "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci. E poder me orgulhar e ter a consciência de que o pobre tem seu lugar". Eles também ergueram faixas pedindo paz.
"É um ato pacífico em relação ao massacre no Alemão. Precisamos que todos estejamos juntos, porque não é só a comunidade que sangra. Estamos todos organizados e mobilizados", afirmou Pamela Carvalho, pesquisadora das culturas negras e educadora.
"Ninguém liga para a educação porque eles precisam do pobre desinformado, eles precisam do favelado alienado. A gente precisa mudar isso através da educação. Se não tiver educação nada vai melhorar. A educação é o alicerce da mudança", disse uma outra manifestante durante o ato na Penha.
Membros do Instituto Marielle Franco também estiveram na manifestação. "Não há inocência para quem mora na favela. O CEP se tornou uma sentença de execução em massa. O Brasil precisa encarar a seletividade da violência policial", disse o instituto em suas redes sociais.
Participaram do ato simultâneo organizações como a Coalizão Negra por Direitos, Mulheres Negras Decidem e entidades comunitárias do Complexo da Penha e Alemão, entre elas o Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento, Voz das Comunidades e Frente Penha.
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