Confronto entre policiais e criminosos ocorreu em uma área de mata entre os complexos da Penha e do AlemãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio – A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) pediu à Polícia Militar as imagens registradas pelas câmeras corporais dos PMs durante a megaoperação de terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. Também foram solicitados os nomes dos agentes presentes na investida contra o Comando Vermelho, que resultou em 121 mortes - 117 suspeitos e quatro policiais -, 113 presos e 91 fuzis apreendidos.
A justificativa para o pedido dos registros, de acordo com a DPRJ, é “garantir a preservação das provas referentes à ação policial”. Procurada pela reportagem de O DIA, a PM não se quis se pronunciar.
Em entrevista coletiva na quarta (29), o coronel Marcelo de Menezes, secretário de Polícia Militar, ouviu questionamentos sobre as gravações e admitiu que boa parte dos confrontos com os criminosos pode não ter sido registrada pelas câmeras corporais devido à duração da bateria dos equipamentos, que fica em torno de 12 horas.
“A operação começou a ser 'brifada' e começamos a nos reunir, a partir de 3h. Nossas tropas começaram a incursionar às 5h. Em um policiamento ostensivo, há a substituição dessas baterias. Agora, dado o cenário em que os policiais estavam empregados, atuando nesta operação, certamente em algum momento as baterias perderam a carga, e essas imagens podem ter sido interrompidas, haja vista que não houve oportunidade de chegarmos a eles”.
Além da DPRJ, outros grupos e organizações voltaram suas atenções para a megaoperação, que reuniu mais de 2,5 mil policiais, entre militares e civis. A Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), por exemplo, criou o Observatório de Investigações para monitorar os inquéritos.
Já a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em Brasília, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma tutela de urgência para acelerar o processo e garantir às famílias dos mortos uma perícia externa e independente. Os parlamentares ainda pretendem encaminhar um relatório com relatos de testemunhas e parentes a autoridades nacionais e internacionais.
Dos 117 suspeitos mortos, segundo a Polícia Civil, 99 já foram identificados no IML do Centro. Deste total, 40 vieram de outros estados, como Espírito Santo, Goiás, Bahia, Amazonas e Pará.