Rio - A Justiça do Rio substituiu a prisão preventiva do motorista Douglas Christian Almeida, de 30 anos, por prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A decisão foi publicada nesta terça-feira (16) pela 2ª Vara Criminal. Douglas está sob custódia no Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte, desde o dia 28 de outubro, quando foi baleado no rosto e preso, suspeito de trocar tiros com a Polícia Militar em frente ao condomínio onde mora com a família, no Engenho da Rainha.
Os familiares, no entanto, afirmam que ele não estava armado e não reagiu à abordagem policial. Em entrevista ao DIA, a mulher de Douglas, Carine Andrade, de 30 anos, contou que os últimos dias têm sido difíceis, em busca da comprovação da inocência do marido.
"São dias difíceis, pois estamos tentando provar a inocência de uma pessoa que nunca teve arma e que não trocou tiros com a polícia. Meus filhos choram e estão com problemas psicológicos por sentirem falta do pai e não poderem vê-lo. Esses últimos dias foram de angústia, pois ouvimos dos médicos a possibilidade de o Douglas receber alta e ser transferido para um presídio", desabafou Carine.
Douglas segue internado no hospital, sem previsão de alta. "Ele não está se alimentando pela boca e ainda aguarda a avaliação médica para saber se precisará passar por outra cirurgia em janeiro", completou a companheira.
A 25ª DP (Engenho Novo) registrou o caso. O motorista foi autuado em flagrante pelos crimes de desobediência, tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma.
Relembre o caso
O caso aconteceu na Estrada Adhemar Bebiano, na Zona Norte do Rio. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o carro de Douglas parado na frente do condomínio com marca de disparos. Uma poça de sangue se formou ao lado do veículo.
Segundo a PM, uma equipe do Batalhão Tático de Motocicletas (BTM) apreendeu um revólver no interior do automóvel após conseguirem cercá-lo. Ele teria desobedecido a ordem de parada. Contudo, familiares do motorista afirmam que os policiais colocaram a arma no veículo depois da conclusão da ocorrência e que o homem não resistiu à abordagem.
Carine conta que o marido estava voltando para casa, na noite da última terça-feira (28), após entregar um produto voltado ao emagrecimento para uma cliente. O casal tem uma microempresa no ramo.
A empreendedora lembra que ouviu barulhos de tiros e olhou nas câmeras de segurança. Ela viu o veículo da família parado na porta do condomínio e desceu para saber o que havia acontecido. Foi nesse momento que encontrou o companheiro ferido.
"Moradores viram a hora que meu marido saiu do carro e não tinha arma alguma. Alguns presenciaram toda a revista do carro. Só tinha meu material de trabalho e as mochilas da escola dos meus filhos. Eles tentaram tirar, de todas as formas, o veículo do local. Tem vídeos deles catando as cápsulas do chão. Até então, nós estávamos tranquilos, pois não acharam nada dentro do carro. Na delegacia, eles apresentaram uma arma com quatro munições, sendo duas usadas, alegando que meu marido trocou tiros com eles. Se tivesse pistola no local, teriam apresentado desde o início com a gente gritando que era morador e inocente", disse.
"Não estava armado. Temos provas dele saindo do carro sem arma. Como ele trocou tiro? Os quatro vidros estavam intactos e fechados. A única perfuração de bala, de fora para dentro, é de fuzil. Não tem perfuração de dentro para fora. Como ele vai correr da polícia e parar na porta do condomínio de casa? Se mandaram ele parar, ele não ouviu. Eu quero justiça. Foi forjado. É revoltante", contesta Carine.
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