Bombeiros resgataram mais de 200 vítimas afogadas apenas em Copacabana, na Zona SulÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - Bombeiros resgataram 1167 vítimas de afogamento das 7h de quarta-feira (31) às 19h desta quinta-feira (1º) entre os bairros do Leme a São Conrado, na Zona Sul. Na virada de 2024 para 2025, o número foi de apenas 29. Em todo o estado, aconteceram 1.666 resgates.
Na área atendida pelo 3º Grupamento Marítimo (3º GMar), que compreende o trecho do Leme a São Conrado, durante a Operação Réveillon que iniciou às 6h de quarta-feira (31) e encerrou às 6h desta quinta feira (1º), foram realizados 547 resgates no mar. Já no primeiro dia do ano, das 6h até às 19h, houve 620 resgates.
O tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, destacou que a maior parte dos salvamentos foi em Copacabana.
"O perfil dos afogados é bem diversificado, mas a grande prevalência dos afogamentos continua sendo de jovens do sexo masculino. A população muitas vezes acaba não acreditando que aquilo poderia acontecer com ela. Só acredita quando ocorre com algum familiar. A gente continua com política de conscientização, mas o Corpo de Bombeiros acredita que é uma questão cultural e acreditamos que isso possa mudar. A população está cada vez mais consciente", disse Contreiras.
A orla de Copacabana contou com 170 bombeiros, seis forças-tarefa, 20 postos de guarda-vidas e equipes médicas embarcadas em motos aquáticas. Em todo o estado, a corporação mobilizou 1.500 militares, com apoio de 360 viaturas, 250 embarcações, três aeronaves e 13 drones, sendo alguns equipados com farol de busca e megafone para operações noturnas. A operação contou ainda com três postos de Comando e Controle e a implantação de 38 novos postos móveis de salvamento marítimo em praias de grande movimento.
"O aviso de ressaca se encerrou pela Marinha, mas o mar continua com muito risco para mergulho. A gente terá um ou dois dias até que o mar abaixe o nível de ondas e, mesmo assim, nessa condição de pós ressaca, a gente tem a criação de valas, que são as correntes de retorno. O mar estará aparentemente mais calmo, mas ainda com muita energia. Dará aquela falsa sensação de segurança, que as pessoas acham que está calmo, entram e são levadas para o fundo. O mar não vai abaixar tão rápido. Continuamos com risco de afogamentos. As condições de banho não são propícias", ressaltou o tenente-coronel.
Em outras praias fluminenses, os números reforçam a intensidade da operação. No total foram realizados 277 resgates somente no período da Operação Réveillon. Mambucaba, na Costa Verde, foi a que teve o maior número de registros: 157, seguido da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, com 18 registros e Itaipu, em Niterói, com 16 ocorrências.
Jovem desaparecido
Bombeiros realizam, nesta quinta-feira (1º), o segundo dia de buscas por um adolescente de 14 anos que desapareceu no mar de Copacabana. O menino foi visto pela última vez na manhã desta quarta-feira (31).
"Fizemos um grande trabalho nessas 24h com mergulhadores exatamente no ponto onde ele desapareceu. Agora, já passado 24h, nós começamos a aumentar o raio. As correntes marítimas estão muito fortes. As correntes do fundo não seguem as mesmas direções da superfície. Continuamos com todo o esforço aqui, estamos com drones varrendo toda essa área, mapeando a Zona Sul para que a gente não perca ele de vista. Os helicópteros fazem sobrevoos e temos sonares nas embarcações que detectam qualquer ponto diferente no fundo do mar. Isso auxilia muito o trabalho dos mergulhadores para que a gente possa acabar o quanto antes com essa angústia da família", explicou Contreiras.
No dia do desaparecimento, a Defesa Civil emitiu um alerta de ressaca para todo o litoral fluminense, por meio do Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), enviado diretamente para todos os celulares. A orientação era para que ninguém entrasse no mar.