Camada de fumaça se formou dentro do Shopping Tijuca na última sexta-feira (2)Reprodução / Redes Sociais
Após 48h do incêndio que matou duas pessoas, Shopping Tijuca segue sem previsão de reabertura
Bombeiros continuam em trabalho de rescaldo com objetivo de acabar com qualquer foco remanescente
Rio - Após mais de 48h do incêndio que deixou duas pessoas mortas e outras três feridas, o Shopping Tijuca, Zona Norte, segue sem previsão para reabertura. Bombeiros continuam em trabalho de rescaldo para acabar com focos remanescentes do incidente.
A administração do shopping informou, na noite deste domingo (4), que não não há atualização sobre o prazo para encerramento das atividades dos militares. Por isso, não tem como prever quando reabrirá o estabelecimento.
Segundo a direção, a retomada das operações ocorrerá somente depois da conclusão dos procedimentos de perícia e vistoria pelos órgãos competentes. "É um trabalho árduo e minucioso, com o objetivo de garantir a segurança total para o retorno das operações", diz a nota.
O incêndio aconteceu na noite da última sexta-feira (2), no mezanino da loja Bell’Art, que funcionava no subsolo. O Shopping destacou que conseguiu evacuar 7 mil pessoas com segurança e que os todos os equipamentos para combate às chamas exigidos pela legislação estavam disponíveis, sendo todos os protocolos de emergência cumpridos, inclusive com acionamento de sirenes.
"A brigada do shopping atuou de forma rápida, conseguindo evacuar a loja e o andar onde ela se encontrava em poucos minutos até a chegada dos bombeiros. Em aproximadamente 30 minutos, todas as pessoas tinham sido retiradas em segurança, sem tumultos ou ferimentos decorrentes de correria. O Shopping Tijuca conta com 11 pontos de saída de emergência, além de portarias e rotas de fuga dimensionadas e aprovadas conforme as normas técnicas e exigências do Corpo de Bombeiros", cita a nota.
A administração garantiu que mobilizou: 40 equipamentos adicionais de ventilação e exaustão de fumaça, trazidos com o apoio de shoppings parceiros da região; 10 bombas para drenagem; duas retroescavadeiras para auxiliar em aberturas de pontos de acesso e intervenções externas nas paredes do shopping; rede de sprinklers e hidrantes que abrange todo o empreendimento; pontos de alimentação elétrica; abastecimento contínuo de água, inclusive com caminhões pipa.
Funcionários mortos
O incêndio causou a morte do supervisor de brigada Anderson Aguiar do Prado, de 43 anos, e da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes. Ambos foram enterrados na tarde deste domingo (4).
Henrique Araújo, amigo do bombeiro civil, contou que Anderson morreu devido à inalação de fumaça do fogo que tomou conta de uma loja, no subsolo do shopping, na última sexta-feira (2). De acordo com Henrique, a vítima era uma pessoa que sempre procurava ajudar os outros. E isso aconteceu até o final da sua vida.
"Anderson era uma pessoa ímpar, sempre disposto a ajudar de forma pessoal, espiritual e profissional. Ele igualava tudo nesses três pontos por ser uma pessoa cristã e de índole incomparável. Tanto é que morreu por ajudar o próximo. É o que ele pregava. Como cristão, eu te digo que sinto um vazio. Sei onde ele está neste momento, ao lado de Deus, porque buscou isso", disse.
Segundo a direção do shopping, a prioridade tem sido, desde o primeiro momento, dar assistência às famílias das vítimas e apoiar os colaboradores envolvidos. "Eles são heróis e, junto ao time, foram fundamentais para que muitas vidas fossem preservadas", destaca a administração.
As chamas deixaram outras três pessoas feridas. Uma delas deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ocorreu a transferência para uma unidade particular. Uma mulher, de 23 anos, foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Tijuca e já recebeu alta. Uma terceira vítima recebeu atendimento no local do incêndio.
Trabalho dos bombeiros
O Corpo de Bombeiros segue trabalhando, na tarde deste domingo (4), no rescaldo e na eliminação de focos remanescentes do incêndio no Shopping Tijuca. De acordo com a corporação, são oito equipes, com quatro militares se revezando a cada 15 minutos, usando recursos técnicos adequados para estabilizar o local.
Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas tiveram início em uma área de difícil acesso, o que provocou grande concentração de fumaça no interior do prédio e exigiu uma atuação técnica especializada das equipes.
"Desde o início da ocorrência, militares empregam equipamentos de proteção respiratória autônoma, além de sistemas de ventilação mecânica, fundamentais para a dispersão dos gases tóxicos e para a garantia da segurança operacional", explicou a instituição.
Neste domingo (4), os bombeiros quebraram uma parte do muro do shopping, nas proximidades da entrada principal, na Avenida Maracanã, para resfriar o local, ampliar a ventilação e facilitar a saída da fumaça.
O caso é investigado pela 19ª DP (Tijuca). Segundo a Polícia Civil, a perícia já foi realizada no local e os peritos analisam as informações colhidas. Os agentes realizam outras diligências para apurar todas as circunstâncias do incêndio.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.