Shopping Tijuca segue interditado após incêndioÉrica Martin/Agência O DIA

Rio - Em um período tradicionalmente marcado por expectativa de alta nas vendas do varejo, lojistas do Shopping Tijuca, na Zona Norte, vivem dias de incerteza e apreensão diante dos prejuízos causados pelo incêndio que interditou o centro comercial desde sexta-feira e matou duas pessoas.
O local onde o fogo começou está totalmente interditado devido à falta de condições para a permanência. Já no subsolo, 17 lojas localizadas na lateral esquerda seguem inacessíveis. O calor intenso provocado pelas chamas deformou o piso, comprometendo a circulação e a segurança da área. O mezanino da loja onde teve início o incêndio sofreu um abalo na estrutura.

Lojistas diretamente impactados pelo incêndio, principalmente dos setores de moda, decoração e móveis, estimam que o fechamento prolongado e os danos estruturais devem gerar um impacto significativo no faturamento anual.
"A gente não sabe como vai ser o fechamento do mês. Janeiro geralmente é um período de férias, então temos uma boa rotatividade de pessoas na loja. Mas agora já estamos há três dias inteiros sem funcionar e ninguém consegue nos dar uma previsão. Trabalho há dois anos no shopping, comecei como extra de Natal, e confesso que não sei se meu emprego está garantido", disse o estoquista de uma loja de roupas que preferiu não se identificar.

Outro lojista relata que muitas mercadorias ficaram comprometidas no estoque devido à fuligem. "Perdemos muita coisa. Não consigo nem dimensionar o tamanho do estrago porque não conseguimos acessar o local por causa do trabalho dos bombeiros e da polícia", afirmou o funcionário de uma loja de departamentos.
Além da perda de mercadorias que não poderão mais ser comercializadas, algumas lojas também tiveram suas estruturas físicas danificadas, o que pode atrasar ainda mais a retomada das atividades.
Sindicato dá orientações
Diante desse cenário, o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (SindilojasRio) recomenda que os empresários adotem uma série de medidas imediatas para preservar seus direitos e minimizar os prejuízos.

Entre as orientações está a realização de um registro visual completo dos danos, com fotos e vídeos que incluam não apenas itens queimados, mas também produtos manchados pela fuligem, molhados ou derretidos pelo calor.

O sindicato também aconselha a elaboração de um inventário detalhado das perdas, incluindo mercadorias de estoque e vitrine, equipamentos e mobiliário. No caso de produtos perecíveis, como alimentos e chocolates, a recomendação é registrar a deterioração causada pela falta de refrigeração e pelo calor, sem descartar nada antes da documentação.

Outra orientação é solicitar formalmente à administração do shopping o laudo do Corpo de Bombeiros assim que estiver disponível, além de reunir a cópia da apólice de seguro de responsabilidade civil do centro comercial para eventual acionamento. O SindilojasRio reforça ainda a importância de reunir toda a documentação fiscal relativa aos bens, produtos e serviços afetados.

Em relação ao aluguel, a entidade orienta que os lojistas pleiteiem a isenção total ou proporcional referente aos dias de interrupção das atividades e ao período em que os estabelecimentos permanecerem inacessíveis ou impossibilitados de funcionar.
Ao DIA, o presidente do SindilojasRio, Aldo Gonçalves, afirmou que ainda não é possível mensurar o tamanho do prejuízo, mas que o impacto certamente será elevado. "Cada loja tem um faturamento diferente, depende do ramo, se é de roupas, eletrônicos… O prejuízo, sem dúvidas, será muito grande. Por isso, orientamos os lojistas a se manterem informados sobre seus direitos", explicou.

Segundo ele, diversas lojas do Shopping Tijuca já procuraram o sindicato em busca de orientação, incluindo o estabelecimento onde o incêndio teve início.
O sindicato informou ainda que está mobilizado para prestar apoio aos lojistas afetados. A entidade se colocou à disposição para oferecer assessoria jurídica, com orientações trabalhistas, contratuais e regulatórias relacionadas à interrupção das atividades, além de atuar na mediação de eventuais demandas, com o objetivo de contribuir para uma retomada segura das operações.

O SindilojasRio também elaborou uma cartilha com recomendações importantes para ajudar os lojistas a resguardar seus direitos e minimizar os prejuízos. O material reúne medidas e precauções que devem ser adotadas com urgência pelos comerciantes e está disponível no portal da entidade, no endereço www.sindilojas.rio/downloads/.

Segundo o presidente do SindilojasRio, a prioridade neste momento é oferecer suporte integral aos lojistas impactados. "Estamos disponibilizando apoio jurídico e atuando na mediação das demandas que surgirem, para que as empresas possam se reorganizar e retomar suas atividades da forma mais segura possível", afirmou.