Subsolo do Shopping Tijuca após incêndio que matou duas pessoasDivulgação/Corpo dos Bombeiros

Rio - O forte calor em uma área do subsolo do Shopping Tijuca, na Zona Norte, onde o incêndio começou, dificultou o trabalho da perícia da Polícia Civil, que não conseguiu avançar na análise. Mesmo quatro dias após o início das chamas, a temperatura segue extremamente elevada.
Peritos da 19ª DP (Tijuca) estiveram no centro comercial por volta das 15h desta terça-feira (6) e encontraram um cenário adverso, com calor intenso, ferros retorcidos pelas chamas e ampla destruição. Conforme apurado pela reportagem, os agentes deverão voltar ao centro comercial nos próximos dias.
O subsolo segue totalmente interditado por falta de condições de segurança. No térreo, 17 lojas da lateral esquerda, entre a entrada principal e a Tok&Stok, permanecem inacessíveis, já que o calor intenso deformou o piso.

Pouco antes do início da perícia, o Corpo de Bombeiros havia informado o fim do trabalho de rescaldo, que durou quase 80 horas. Na tarde de segunda-feira (5), uma vistoria da Defesa Civil Municipal já havia constatado uma série de danos estruturais provocados pelo incêndio. Em um vídeo que O DIA teve acesso é possível ver um trecho do térreo, perto da entrada pela Avenida Maracanã, totalmente destruído.
O que diz o Shopping Tijuca 
Na noite desta terça-feira (6), o shopping informou que recebeu os laudos da Defesa Civil que indicam a reabertura parcial e que aguarda a avaliação final do Corpo de Bombeiros. Reforçou, ainda, que concentrará seus esforços para realizar todas as manutenções necessárias e só voltará a funcionar garantindo a segurança e bem estar de clientes, lojistas e colaboradores.

"Isso inclui reinstalar equipamentos de incêndio, sinalizações de emergência, além da verificação se estão já em plenas condições de uso, bem como reparos necessários em áreas atingidas", diz um trecho da nota (leia abaixo na íntegra).
Quem eram as vítimas
As vítimas são o supervisor de brigada Anderson Aguiar do Prado e brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes. Ambos foram enterrados na tarde de domingo (4).
Henrique Araújo, amigo do bombeiro civil, contou que Anderson morreu devido à inalação de fumaça do fogo que tomou conta de uma loja, no subsolo do shopping, na última sexta-feira (2). De acordo com Henrique, a vítima era uma pessoa que sempre procurava ajudar os outros. E isso aconteceu até o final da sua vida.
Nota do Shopping Tijuca na íntegra
"O Shopping confirma o recebimento dos laudos da Defesa Civil que indicam a reabertura parcial e que aguarda a avaliação final do Corpo de Bombeiros. Além disso, reforça que focará seus esforços para realizar todas as manutenções necessárias e só voltará a funcionar garantindo a segurança e bem estar de clientes, lojistas e colaboradores.

Isso inclui reinstalar equipamentos de incêndio, sinalizações de emergência, além da verificação se estão já em plenas condições de uso, bem como reparos necessários em áreas atingidas.

Shopping esclarece evacuação

O shopping tem Certificado de Aprovação (CA) válido e emitido pelos bombeiros, o que inclui a aprovação das instalações dos sistemas de emergência e sinalização, conhecimento da planta do empreendimento. O plano de evacuação também foi aprovado pelos bombeiros, o que garantiu a saída segura de 7 mil pessoas que estavam no shopping com segurança.

Como praxe na nossa indústria, os planos de fuga são desenvolvidos por empresas credenciadas junto o Corpo de Bombeiros, considerando a norma internacional NFPA e a nacional NBR, além de Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros do estado do Rio de Janeiro, e a infraestrutura específica de cada empreendimento. Posteriormente, esse plano é verificado e testado, para a aprovação e concessão do CA. Cabe ressaltar que todos os simulados de abandono feitos pelo shopping contam com participação da corporação.

Na última sexta-feira, durante o incêndio na loja Bell'Art, todos os protocolos de emergência foram cumpridos.

Sobre o acionamento do Corpo de Bombeiros, o shopping informa que fez três ligações, a primeira delas foi às 18h12 e a última, às 18h22, conforme os registros do sistema de comunicação.

A loja Bell'Art, local do incêndio, foi evacuada em cinco minutos, já com os primeiros combates em andamento pela brigada. O subsolo (área crítica naquele momento, onde se encontrava a referida loja), foi evacuado em doze minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros.

A partir disso, os seis pisos superiores começaram a ser evacuados de forma gradual, evitando acidentes que poderiam ser eventualmente causados pelo pânico de uma correria. Importante ressaltar que as duas únicas vítimas foram nossos funcionários heróis, que permaneceram atuando no primeiro combate.

Reforçamos que 7 mil clientes, colaboradores e lojistas foram evacuados em segurança, seguindo as orientações das equipes de segurança, brigadistas, funcionários e bombeiros. Importante ressaltar que não houve tumulto, pisoteamento, empurra-empurra e demais riscos como uma situação tão crítica como essa poderia trazer."