Campo de pouso em São Conrado teve movimentação um dia após morte de instrutor e passageiraCarlos Elias / Agência O Dia

Rio - "Uma perda irreparável". É desta forma que a comunidade de voo livre lamentou a morte do instrutor e piloto de asa-delta Rodolfo Pascoal Ladeira, que morreu ao cair no mar de São Conrado, na Zona Sul, neste sábado (21), após um salto. Na ocasião, a passageira Jenny Colon Rodriguez, uma turista norte-americana, também faleceu.
Nas redes sociais, amigos e clientes destacaram a personalidade de Rodolfo. A pilota Elisa Eisenlohr contou que a vítima era seu parceiro de campeonatos, com quem dividiu conquistas e aventuras. "Uma alma boa, solidário, prestativo, talentoso, pai e marido amoroso. Grande perda para todos nós", escreveu.
O instrutor de parapente Rogério Play também se pronunciou sobre a perda do amigo. "A vida, por vezes tão breve, nos surpreende com despedidas que não escolhem hora nem explicação. Ficam o choque, a ausência e a saudade que aperta o peito. Uma perda irreparável que marca profundamente todos nós", diz o texto, compartilhado por outros atletas de voo livre.
Rodolfo era um dos grandes nomes do esporte no cenário de competições nacionais. Em 2025, ele venceu nas categorias Serial e Open Class do Pré-Mundial de Parapente, disputado em Castelo, no Espírito Santo. Em seu perfil no Instagram, há vídeos de diversos saltos realizados.
"Me despeço de você com o coração apertado, mas cheio de gratidão. Obrigado por ter feito parte de um dos momentos mais incríveis da minha vida. Voar de asa-delta sempre foi um sonho e você transformou isso em realidade com coragem, leveza e aquele sorriso tranquilo que passava confiança. Que você continue voando, agora em outros céus, com a mesma paz que transmitia aqui", compartilhou uma internauta.
O instrutor será enterrado na tarde deste domingo (22) no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária do Rio.
Ainda não há informações sobre o sepultamento da turista norte-americana.
"Condição climática propícia"
O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) informou que, preliminarmente, pode-se afirmar que a condição climática estava propícia para a prática do voo livre no momento do acidente que matou Rodolfo e Jenny. O clube destacou que o equipamento e a aeronave estavam com suas vistorias realizadas e em dia. O CSCVL garantiu que o piloto possuía a capacitação técnica e obrigatória como instrutor de asa-delta e parapente.
"A decolagem, conforme informado pelos fiscais de rampa, foi realizada normalmente. O voo aconteceu e a asa-delta, em sua aproximação para o pouso, segundo testemunhas e a Diretoria que estava no local, caiu em um mergulho de bico, chocando-se com o mar", explicou em nota.
Segundo a direção, a sede do clube ficará fechada nos próximos três dias em memória das vítimas.
Neste domingo (22), o DIA esteve no Campo de Pouso Phil Haegler, área situada entre a Autoestrada Lagoa-Barra e a Praia do Pepino, em São Conrado, e encontrou movimentação normal. Na pista, um homem estava manuseando um equipamento.
Relembre o caso
Rodolfo e Jenny caíram no mar de São Conrado, na manhã deste sábado (21). O acidente aconteceu próximo ao Campo de Pouso.
O resgate foi realizado por equipes do 2° e do 3° Grupamentos Marítimos (2° e 3º GMar), do quartel da Gávea (25° GBM) e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA). Os militares receberam apoio de motos aquáticas, aeronaves e ambulâncias da corporação.
As vítimas foram atendidas ainda na areia. Rodolfo não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já Jenny foi encaminhada em estado grave para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, também na Zona Sul. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a paciente chegou em estado gravíssimo e faleceu devido ao trauma.
O caso foi registrado na 15ª DP (Gávea), que realizou perícia no local. "Foi um acidente. Quem deu causa à morte da passageira foi o piloto, que também faleceu. As regras de atribuição no ar são de competência da Anac e da Confederação de Voo Livre. A Polícia Civil faz o papel dela, investiga se houve crime ou não. Foi um acidente e quem deu causa morreu. Agora, essa parte toda fica em função da Anac e da confederação para verificar se houve algum tipo de infração administrativa e se a asa estava em perfeitas condições", explicou a delegada Daniela Terra.
Procurada pelo DIA, a Anac informou que o voo livre em asa delta ou paragliders (parapente) é considerado uma modalidade de esporte radical e de alto risco, praticado em todo o mundo e fortemente dependente das condições meteorológicas e geográficas locais.
A Agência destacou que não emite ou exige habilitação para a prática de esportes radicais, mas recomenda que os interessados em praticar voo livre se habilitem por meio de associações aerodesportivas reconhecidas pela comunidade praticante, que possui seus próprios moldes de habilitação previstos por suas associações.
"A fiscalização de irregularidades nessa atividade envolve a interface das Secretarias de Segurança Pública (SSP), que são órgãos com atribuições de fiscalização penal, com a Anac. Denúncias recebidas pela Agência sobre irregularidades nesse campo são encaminhadas para órgãos de polícia competentes para a tomada das medidas cabíveis. A ação das SSP no combate a práticas irregulares no aerodesporto é independente e está assegurada na correlação estabelecida no item 103.701 do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) nº 103, sendo que a Agência se põe à disposição das SSP para esclarecer dúvidas e para auxiliar em ações coordenadas de fiscalização. Além disso, a Anac recebe qualquer ocorrência registrada pelas SSP para processamento de penalidade administrativa aplicável", destacou em nota.
A Anac ainda ressaltou que os equipamentos de voo livre não estão sujeitos à avaliação de aspectos de aeronavegabilidade, mas que Agência exige que os praticantes realizem o cadastro do equipamento. 
"Esse cadastro é operacionalizado pelas associações credenciadas, que são responsáveis pela identificação do desportista e pela emissão de atestado de capacidade, garantindo que ele está apto a cumprir as normas operacionais pertinentes. A Certidão de Cadastro do aerodesportista é o único documento exigido especificamente pela Agência para a prática do voo livre, sendo que as associações credenciadas podem ter outros requisitos para suas habilitações", completou.