Vereador Salvino Oliveira foi preso em operação da Polícia Civil nesta quarta-feira (11)REPRODUÇÃO

Rio – A 2ª Vara da Capital Especializada em Organização Criminosa manteve a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD-RJ) durante audiência de custódia nesta quinta-feira (12). Ele foi detido, nesta quarta (11), por suspeita de ligação com o Comando Vermelho em uma operação da Polícia Civil.
Durante a sessão, o parlamentar foi questionado sobre as circunstâncias da prisão e afirmou que não sofreu agressões, foi informado dos direitos dele e conseguiu falar com a defesa.
O representante do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou a manutenção da prisão, enquanto a defesa de Salvino pediu a concessão de liberdade provisória ou substituição por prisão domiciliar.
Antes de anunciar a manutenção da prisão, o juíz Otávio Hueb Festa ressaltou que o mandado de prisão temporária contra Salvino, por organização criminosa e associação para o tráfico, ainda se encontra dentro do prazo de validade; que a decisão que ocasionou sua expedição seguia mantida pelo juízo natural; e que não houve irregularidades no ato da detenção.
Salvino Oliveira está custodiado no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Por nota, a defesa do parlamentar informou que seu cliente "repudia com veemência a acusação" feita pela Polícia Civil, lamenta "as truculentas e desnecessárias medidas tomadas em seu prejuízo" e afirma que a prisão se deu "com base em narrativa evidentemente desprovida de provas, construída com propósito de macular a sua reputação com mentiras".
O posicionamento acrescenta que o vereador confia na Justiça e provará a sua inocência durante o processo, "demonstrando à sociedade que o elegeu a verdade dos fatos, que confirmará, mais uma vez, a seriedade e a lisura do seu trabalho".
O que a investigação levantou sobre o vereador
Salvino Oliveira foi preso no âmbito da operação Contenção Red Legacy, que investiga a estrutura do Comando Vermelho, assim como seis contra policiais militares.
De acordo com o apurado, Salvino, que foi secretário de Juventude do governo Eduardo Paes entre 2021 e 2024, teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma autorização para realizar campanha eleitoral na Gardênia Azul, Zona Sudoeste, área dominada pelo CV.
"Ele solicitava apoio a uma pessoa que falava diretamente com a liderança da facção, que é o Doca, para ter acesso à comunidade e fazer campanha eleitoral. Não tem que pedir autorização de criminoso nenhum para entrar em lugar algum. O que mais me surpreende é que dias atrás estava batendo na polícia e no governo dizendo que era tudo envolvido com o Comando Vermelho. Hoje, temos uma operação que mostra que ele está envolvido. Seja quem for, a polícia vai combater", detalhou o secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Em troca, o parlamentar articulou benefícios à facção, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região.
Curi afirmou que cerca de 100 quiosques foram construídos na Gardênia, sendo metade deles com processo publicizado e divulgado em Diário Oficial. No entanto, a outra parte teria sido usada para ser explorada pelo Comando Vermelho.
"Não teve nenhum processo público, sendo negociado diretamente com a cúpula do Comando Vermelho para que fosse indicado pessoas para explorar isso. Quem intermediou tudo isso, segundo dados apresentados até o momento, foi o vereador. Obviamente, a investigação está em andamento. Ainda é uma prisão temporária. Elementos foram apreendidos na residência dele e tudo será analisado", comentou.
Para o delegado Pedro Cassundé, assistente da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD), o caso se trata de uma troca de favores. "Alguém tem interesse em permanecer no local e alguém tem interesse em reunir capital político", explicou.